tragédia brumadinho
Brasil Risco de barragens se romper já retirou quase 1.000 de casa em MG

Risco de barragens se romper já retirou quase 1.000 de casa em MG

Além de Brumadinho, moradores das cidades de Itatiaiuçu, Barão de Cocais, Nova Lima e Ouro Preto já foram alertados por sirenes e ligações

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Ontem, moradores de Nova Lima (MG) fizeram protesto

Ontem, moradores de Nova Lima (MG) fizeram protesto

Alex de Jesus/O Tempo/Estadão Conteúdo - 20.02.2019

Na madrugada do último dia 8, a caseira Valderis Soares da Silva foi pega de surpresa enquanto dormia em Itatiaiuçu (MG). Acordada por uma sirene e uma ligação do irmão, Valderis viveu momentos de pânico e teve de sair às pressas de casa.

Dona Valderis faz parte das quase 1.000 pessoas de quatro cidades de Minas Gerais — Itatiaiuçu, Barão de Cocais, Nova Lima e Ouro Preto — retiradas de casa por causa do risco de uma barragem de mineração se romper.

A última vez que as pessoas foram retiradas de casa por risco de uma barragem estourar foi na última quarta-feira (20), em Nova Lima, na Grande BH, e em Ouro Preto, a 96 km da capital mineira.

Ontem, pelo menos 125 pessoas tiveram que ir para hoteis e casas de amigos de parentes somente nessas duas localidades. Foi o quarto episódio de deslocamento de pessoas de casa após a tragédia de Brumadinho, que completa um mês na próxima segunda-feira (25).

No último sábado, cerca de 170 pessoas já haviam sido retiradas de casa na comunidade de Macacos, também em Nova Lima. A Vale, responsável pela barragem que poderia se romper, disse que cadastrou 110 pessoas.

Antes disso, também em 8 de fevereiro, os moradores de Barão de Cocais, a cerca de 100 km de Belo Horizonte, também foram acordados com sirene. O risco de a barragem Sul Superior, da mina Gongo Soco, se romper retirou 492 pessoas de casa como forma de prevenção.

No mesmo dia de Barão de Cocais, Itatiaiuçu também foi vítima de correria na madrugada por causa de barragem em risco — dona Valderis é uma das pessoas que tiveram que sair às pressas de casa. Na ocasião, 131 pessoas foram retiradas e levadas para hoteis e casas de amigos.

Famílias tiveram que deixar casas em Barão de Cocais (MG)

Famílias tiveram que deixar casas em Barão de Cocais (MG)

Uarlen Valério/O Tempo/Folhapress - 18.02.2019

Ameça maior

Embora o número de pessoas retiradas de casa em função do risco de uma barragem de mineração estourar seja baixo, os outros moradores das cidades em xeque também estão sujeitos a serem impactados indiretamente.

Neste caso, ao menos 250 mil pessoas de Brumadinho, Barão de Cocais, Nova Lima, Itatiaiuçu e Ouro Preto, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), sofrem indiretamente com os esvaziamentos das casas. O turismo de Brumadinho, por exemplo, agoniza depois do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão.

Balanço da tragédia

A Defesa Civil informou, na última quarta-feira (20), que 171 corpos já foram encontrados depois da catástrofe causada pelo rompimento da barragem em Brumadinho. De acordo com as autoridades, 139 pessoas permanecem desaparecidas.