Saída de Teich é a décima mudança ministerial no governo Bolsonaro

Com o pedido de exoneração, o médico engrossa a lista de baixas no Planalto, que inclui, entre outros, Sergio Moro, Luiz Henrique Mandetta e Roberto Alvim

Pedido de demissão foi confirmado nesta sexta (15)

Pedido de demissão foi confirmado nesta sexta (15)

Divulgação/ Ministério da Saúde

O pedido de demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich, é a décima mudança ministerial no governo de Jair Bolsonaro. Ele ocupava o cargo há menos de um mês, após Luiz Henrique Mandetta ser demitido por conta de divergências com o presidente da República. 

À época, Mandetta defendia sistematicamente as medidas de isolamento social no combate à pandemia do novo coronavírus. O presidente, no entanto, vinha pedindo maior equilíbrio entre as ações de enfrentamento à crise sanitária e a retomada da atividade econômica — posição mantida por ele até hoje.  

No mês passado, o ex-ministro Sergio Moro pediu para deixar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, criado há cerca de 17 meses, por não concordar com a exoneração do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Maurício Valeixo, que havia chegado ao cargo por meio de indicação do ex-juiz da Lava Jato.  

Roberto Alvim, ex-secretário da Cultura —secretaria com status de ministério—, foi demitido em 17 de janeiro. Ele deixou o cargo após publicar um vídeo em que copiava trechos de um discurso nazista e, também, fazia referência ao regime citando o músico Richard Wagner. Com isso, a atriz Regina Duarte foi convidada para ocupar a função e tomou posse no início de março

A primeira mudança

Gustavo Bebianno, que foi coordenador da campanha eleitoral de 2018, deixou a Secretaria-Geral da Presidência 48 dias após o início do mandato de Bolsonaro. Ele, que até então era um dos homens de confiança do presidente, virou o centro das atenções após a imprensa revelar possíveis irregularidades na campanha eleitoral de uma deputada federal.

A exoneração, no entanto, foi oficializada após um desentendimento entre Bebianno e Carlos Bolsonaro, um dos filhos de Bolsonaro e vereador no Rio de Janeiro. Na sequência, Floriano Peixoto, um general da reserva, passou a ocupar a vaga, mas ficou apenas quatro meses no cargo. 

Baixa na Educação

Ricardo Vélez Rodriguez não resistiu no comando do Ministério da Saúde e deixou a função em abril de 2019. O colombiano, que vinha sendo fortemente criticado por conta da dificuldade para montar uma equipe técnica de trabalho, viu a imagem se desgastar ainda mais após determinar, por meio de um e-mail enviado às escolas, que as unidades de ensino enviassem vídeos mostrando os alunos cantando o Hino Nacional. 

À época, a medida, que estava em desacordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), foi a "gota d'agua" e a sua permanência no governo ficou insustentável. Após a saída dela, Abraham Weintraub, economista e professor, assumiu e deste então é o responsável pela pasta. 

Outras mudanças

Em junho de 2019, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz deixou a Secretaria de Governo da Presidência da República. Ele foi o primeiro militar, núcleo próximo ao presidente, a sair do atual governo. 

Onyx Lorenzoni, que até então era chefe da Casa Civil, assumiu o Ministério da Cidadania, em fevereiro de 2020, após Osmar Terra sair da posição. O general Walter Braga Neto, por sua vez, passou a comandar a Casa Civil.