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Brasil Seis capitais ficam sem aplicar vacina por falta de doses

Seis capitais ficam sem aplicar vacina por falta de doses

Palmas (TO) seria a sétima da lista, mas ela só não imunizou contra a covid-19 nesta sexta-feira (16) por uma opção da prefeitura

  • Brasil | Marcos Rogério Lopes, do R7

Falta de vacinas torna campanha lenta no país

Falta de vacinas torna campanha lenta no país

Luong Thai Linh / EFE - Arquivo

Por falta de imunizantes, ao menos seis capitais do país atravessaram esta sexta-feira (16) sem aplicar uma única primeira dose na vacinação contra a covid-19.

A situação ocorre em quatro capitais do Nordeste — Salvador (BA), Maceió (AL), São Luís (MA) e João Pessoa (PB) —, uma do Centro-Oeste (Goiânia-GO) e uma do Norte: Rio Branco, no Acre. Em todas as cidades, a mesma justificativa: faltam doses. 

Palmas, no Tocantins, também não imunizou um único morador com a primeira dose nesta sexta, apesar de ter doses. De acordo com informação obtida na página da prefeitura no Facebook, para aproveitar os funcionários sem interromper os demais trabalhos das unidades de saúde, há uma escala na cidade com os dias em que ocorre a campanha contra a covid-19. Hoje, não. Amanhã, sim.

"As unidades estão atendendo toda a rotina normal, inclusive com as vacinas do calendário básico. Com isso, a formação de equipes vacinadoras para atuar nas ações depende de organização prévia para não comprometer o trabalho de rotina dessas unidades", explicou o responsável por responder as mensagens da rede social. A assessoria de imprensa do município não retornou os contatos da reportagem.

As particularidades de cada capital reforçam a falta de uniformidade e coordenação em uma campanha que deveria ser nacional. Cada estado imuniza seguindo suas próprias regras. João Pessoa, na Paraíba, mesmo com o trabalho paralisado, já aplica CoronaVac ou AstraZeneca, únicas opções no Brasil, em pessoas com 57 anos. São Paulo, que ainda não parou, está convocando cidadãos 10 anos mais velhos.

Curitiba, no Paraná, põe na frente entre pessoas da mesma idade quem nasceu no primeiro semestre. Em Goiânia, a chamada leva em conta também a ordem alfabética.

A capital paranaense, aliás, havia interrompido as aplicações nesta semana, mas decidiu retomá-la nesta sexta usando como matéria-prima o que havia guardado de segunda dose. A medida ocorreu porque a administração recebeu a confirmação do governo federal de que logo entram no município mais lotes de imunizantes.  

Florianópolis, em Santa Catarina, também retomou a campanha hoje depois de receber de madrugada 229,2 mil doses do governo federal. Desse total, 141 mil são para a primeira dose.

O jeito é esperar, diz secretário do Acre

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O secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Francisco Lima, diz que estão previstas entregas do governo federal ainda nesta sexta-feira. "Assim que chegarem, a gente aplica, mas a gente não pode fazer o trabalho do Ministério da Saúde. Se ele não foi atrás [de lotes da vacina] antes, agora precisamos esperar e interromper a vacinação", lamenta.

Lima explica que o problema não se repete em relação à segunda dose porque, como a maior parte dos imunizantes do país é CoronaVac, a cota para o complemento da imunização já havia sido separada antes de acabarem os estoques.

"O país inteiro está assim, infelizmente. Faltam vacinas no mundo inteiro, principalmente para quem chegou depois na fila", exclamou o secretário acriano.

São Luís, Maceió, João Pessoa, Salvador e Goiânia também aguardam a chegada de novos lotes nesta sexta.

Salvador anunciou que pretende retomar amanhã, sábado (17), a imunização para o público de 61 e 60 anos, além de doulas, trabalhadores da área de saúde, segurança e pessoas com comorbidades. A campanha está interrompida há cinco dias. 

A capital de Goiás também está otimista e quer retomar no sábado, após uma semana de paralisação da primeira dose, a vacinação de idosos a partir de 63 anos. 

Ministério da Saúde ultrapassa 50 milhões de vacinas distribuídas

Várias autoridades do país tentam comprar vacinas por conta própria, sem esperar o Ministério da Saúde. A FNP (Frente Nacional de Prefeitos) coordena um consórcio de municípios interessados em adquirir os compostos no mercado internacional. 

O consórcio negocia a compra de 30 milhões de doses da vacina russa Sputnik V. 

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