Sem aval de Aras, força-tarefa da Lava Jato é prorrogada por um ano

Composta por 14 procuradores, a força-tarefa da operação tinha funcionamento garantido apenas até o dia 10 de setembro

Aliados de Aras criticaram a decisão da conselheira

Aliados de Aras criticaram a decisão da conselheira

Pedro França/Agência Senado - 25.09.2019

A subprocuradora Maria Caetana Cintra dos Santos, do Conselho Superior do MPF (Ministério Público Federal), decidiu nesta terça-feira (1º) prorrogar a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, por um ano. A decisão liminar (provisória) contraria a cúpula da PGR (Procuradoria-Geral da República). Composta por 14 procuradores de primeira e segunda instância, a força-tarefa tinha funcionamento garantido apenas até o dia 10 de setembro.

O pedido de renovação da equipe foi apresentado pelo grupo da Lava Jato no Paraná na semana passada. Maria Caetana Cintra dos Santos concedeu a liminar, mas submeteu o tema a debate no Conselho Superior para referendo. A sessão que discutirá o tema ainda não está marcada.

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A decisão de Maria Caetana foi tomada horas após o anúncio da saída do coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, que decidiu trocar de posição com o procurador Alessandro Fernandes Oliveira, também do MPF no Paraná. Aras teria condicionado a renovação da operação à saída de Dallagnol do posto.

Aliados do procurador-geral Augusto Aras criticaram a decisão da conselheira, afirmando que a o Conselho Superior do MPF não tem poder para decidir sobre a designação de procuradores de primeira instância, mas apenas para decidir sobre o empréstimo de procuradores de segunda instância - que são apenas dois na Lava Jato: Orlando Martello e Januário Paludo.

Além disso, interlocutores de Augusto Aras comentam que não está claro se a conselheira tem competência para decidir sobre o tema sozinha. Para um integrante da cúpula da PGR, a conselheira está criando um "fato político".

Substituto de Aras, Alessandro Oliveira disse que espera a continuidade da equipe atual. Citando jargão futebolístico, disse que "em time que está ganhando não se mexe". Nos bastidores da instituição, a saída de Deltan tem sido vista como algo que poderia distensionar a relação da Lava Jato com a Procuradoria-Geral.

Na semana passada, oito dos dez integrantes do Conselho Superior enviaram um ofício ao procurador-geral, Augusto Aras, e ao vice-procurador-geral, Humberto Jacques de Medeiros, colocando-se a favor da renovação da equipe. Além disso, a 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF concordou com a renovação em ofício enviado ao PGR.

Procurada, a PGR ainda não se manifestou até a publicação desta reportagem. Integrantes da Força-Tarefa da Lava Jato em Curitiba não se manifestaram até o momento.