Novo Coronavírus

Brasil Sem R$ 18 mil para passagem, brasileiro continua na África do Sul

Sem R$ 18 mil para passagem, brasileiro continua na África do Sul

Consultor carioca diz ter comprado bilhete para voo que foi cancelado. Sem dinheiro, ele quer voltar ao Brasil para auxiliar de familiares com covid-19

  • Brasil | Cesar Sacheto, do R7

Diogo Santos se arrepende por não ter voltado antes

Diogo Santos se arrepende por não ter voltado antes

Arquivo Pessoal

Há pouco mais de dois meses na África do Sul, parte desse período retido no país em função das medidas restritivas de combate à pandemia do novo coronavírus, o consultor imobiliário Diogo Santos está em busca de ajuda para voltar ao Brasil. Envolvido em um impasse com a companhia aérea que faria a viagem de retorno, o brasileiro pede a intervenção diplomática do Itamaraty.

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Já sem dinheiro, vivendo com o auxílio de outros brasileiros, em Joanesburgo, o carioca de 32 anos, que iniciou uma viagem para surfar em praias da Tanzânia, Namíbia e na própria África do Sul, se diz arrependido por não ter embarcado em um voo de repatriação no início de abril. "Muito arrependimento de não ter ido no primeiro momento", admitiu Diogo.

A notícia de familiares contaminados pelo Sars-Cov-2, o nome científico do novo coronavírus, no Rio de Janeiro, abalou o consultor imobiliário, que deseja retornar o quanto antes para ajudar os parentes enfermos. A avó havia recebido alta dos médicos e retornado para casa, mas morreu na madrugada desta quinta-feira (21). Uma tia de Diogo segue em tratamento.

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Diogo afirma que já possuía um bilhete emitido pela empresa aérea South African Airways com a previsão de embarque dia 27 de março, pelo qual pagou US$ 410 (o equivalente a cerca de R$ 2.400). No entanto, o voo - que seria realizado pela Qatar Airways - foi cancelado e a companhia qatariana cobra o pagamento de 59 mil rands, a moeda africana (o equivalente a R$ 18,7 mil), para que o brasileiro faça a viagem de retorno.

Anteriormente, o R7 havia informado que o brasileiro precisava de R$ 3.000 para retornar ao país. Porém, houve um erro na conversão da moeda sul-africana para reais. O valor correto é de R$ 18,7 mil. A reportagem foi corrigida às 9h25.

"Estou tentando voltar. A minha família está doente. O dinheiro acabou. Estou abrigado na casa de uns brasileiros. Tenho uma passagem da [companhia aérea] Qatar com o mesmo trajeto [do voo anterior de repatriação]: Joanesburgo-Doha-São Paulo. Eles não querem remarcar a passagem", protestou.

Reprodução

Pedido de socorro

Atingido pela crise econômica deflagrada com o surto da doença, Diogo, que vive da renda de aluguéis de imóveis no bairro do Receio dos Bandeirantes, na zona oeste carioca, se diz impossibilitado de obter o valor necessário para comprar uma nova passagem e longe de um acordo com a empresa aérea.

Desta forma, o consultor imobiliário entrou em contato com a Embaixada do Brasil em Joanesburgo com a esperança que a representação diplomática pudesse intervir em seu favor. Porém, não foi atendido. Havia a previsão da partida de um voo fretado de repatriação, nesta quinta-feira (21), intemas não organizado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Em nota, o Itamaraty destacou que os brasileiros porventura ainda estejam retidos devem contatar a Embaixada em Pretória ou o Consulado na Cidade do Cabo para informar de sua situação.

O texto ressaltou que as Embaixadas e Consulados ao redor do mundo estão em negociações constantes para conseguir superar obstáculos como o fechamento do espaço aéreo, a proibição do trânsito interno e restrições severas de movimentação dentro das cidades e entre regiões em vários países.

No caso do África do Sul, já foram repatriados 856 brasileiros. Além do esforço da Embaixada para garantir a remarcação ou endosso de passagens em voos cancelados, um voo fretado fez a rota Joanesburgo-Cidade do Cabo-Guarulhos no dia 6 de abril, levando 257 passageiros, finalizou o comunicado.

Por fim, o comunicado diz que os brasileiros porventura ainda estejam retidos devem contatar a Embaixada em Pretória ou o Consulado na Cidade do Cabo para informar de sua situação.

Outro lado

A reportagem do R7 não localizou representantes da Qatar Airways para explicar o caso do consultor imobiliário Diogo Santos até a publicação desta matéria.

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