Brasil Supremo abre inquérito contra Marun por suspeita de corrupção

Supremo abre inquérito contra Marun por suspeita de corrupção

Ministro da Secretaria de Governo diz ao R7 estar com a “tranquilidade de quem nada deve e, portanto, nada teme”

Marun investigado por suspeita de corrupção

Marun diz estar com a consciência tranquila

Marun diz estar com a consciência tranquila

Ueslei Marcelino/Reuters - 29.03.2018

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin determinou a abertura de um inquérito, nesta segunda-feira (3), para investigar o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, e sua chefe de gabinete, Vivianne Lorenna Vieira.

Os dois são suspeitos de corrupção e associação criminosa no âmbito da Operação Registro Espúrio, que investiga fraude na liberação de registros sindicais pelo Ministério do Trabalho.

A decisão de Fachin atende a um pedido da procuradora-geral da República Raquel Dodge. Na investigação da Polícia Federal, Marun conseguia manifestações para entidades sindicais de Mato Grosso do Sul. Ainda de acordo com a PF, os sindicatos supostamente ofereciam vantagens indevidas ao ministro como contrapartida.

Ao R7, o ministro Carlos Marun declarou que recebeu a notícia de abertura de inquérito com a “tranquilidade de quem nada deve e, portanto, nada teme”. Marun afirma ainda que não recebeu vantagens indevidas e que lamenta não poder “buscar a reparação destes danos” ao final do inquérito.

O secretário do governo de Temer diz ainda confiar em sua assessora, também investigada nas denúncias.

Confira a nota de Carlos Marun ao R7:

“Recebi [a abertura de inquérito] com a tranquilidade de quem nada deve e, portanto, nada teme. Nada fiz que extrapole as minhas funções previstas no ordenamento jurídico e não recebi nenhuma vantagem, devida ou indevida, pelas ações que desenvolvi em prol de sindicatos de MS.

Estou consciente de que o constrangimento que me impõe com esta medida é real e lamento o fato de que ao final não poderei buscar a reparação destes danos, haja visto que os que me acusam não serão sequer investigados.

Afirmo, também, a minha confiança nas atitudes de minha assessora Dra. Vivianne Lorenna Vieira e lamento o constrangimento que ela está passando em função desta tendenciosa acusação que tem por objetivo me atingir e intimidar.

Sei que sou alvo de uma intimidação sob a forma de inquérito, mas desde já reafirmo todas as críticas que fiz a atitudes e decisões indevidas e ilegais que estão sendo tomadas por autoridades que deveriam zelar pelo estrito cumprimento da lei.

Reafirmo, ainda, a minha absoluta oposição ao estado policialesco que muitos tentam impor ao Brasil. Por fim destaco a necessidade da aprovação de legislação que permita a punição de Abusos de Autoridade, para que pessoas indevidamente constrangidas possam ser indenizadas e eventuais culpados punidos.

CARLOS MARUN - ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República.”