Operação Lava Jato
Brasil Suspeitos usavam letra grega para anotar desvios da Petrobras, diz PF

Suspeitos usavam letra grega para anotar desvios da Petrobras, diz PF

Operação Sem Limites foi deflagrada nesta quarta e investiga pagamento de US$ 31 milhões em vantagens indevidas na estatal

Operação Sem Limites

Investigações chegaram a cerca de 80 tabelas

Investigações chegaram a cerca de 80 tabelas

Jose lucena/Futura Press/Folhapress - 05.12.2018

O delegado Filipe Pace, da Polícia Federal, disse em coletiva nesta quarta-feira (5), que os valores pagos em propina eram determinados com o símbolo matemático "delta" em planilhas. As autoridades detalharam a investigação da operação Sem Limites, deflagrada nesta quarta.

A ação investiga o pagamento de pelo menos US$ 31 milhões (o equivalente a quase R$ 120 milhões) em propinas para funcionários da Petrobras, entre 2009 e 2014.

Pace explica que o "delta" era usado para especificar o valor de propina que seria pago por cada barril negociado. "Chegou-se a casos de mais de um dólar por barril negociado era a comissão", diz.

O procurador Athayde Ribeiro Costa explica que os investigados compravam combustíveis mais caro do que a prática no mercado e depois vendiam o material com valor de mercado menor. Segundo ele, "essa diferença era utilizado para obter vantagens indevidas".

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Para o procurador, "a operação de hoje é o principal ataque da Lava Jato na área comercial e na área fim da Petrobras".

"O que as mensagens trouxeram para a gente foram tabelas que continham o valor, a quantidade de barris negociados e a forma como eram negociados", afirma. O delegado diz que existiam cerca de 80 tabelas e que a força-tarefa teve acesso à maioria delas, que eram enviadas por e-mail entre os investigados.  

Pace afirma que há muitas provas para operação pela natureza do esquema. Como os valores de propina precisavam ser negociados rapidamente, alguns envolvidos chegaram a falar sobre o esquema por mensagens de texto.

O esquema era coordenado na Gerência Executiva de Marketing e Comercialização da empresa que, segundo o procurador, "essa gerência executiva é responsável por quase todo o faturamento da empresa". 

Foram expedidos 11 mandados de prisão preventiva e, até o momento, a PF cumpriu seis. Outros três investigados estão fora do país e a Interpol foi acionada para ajudar nas prisão. Um dos investigados alvo de prisão temporária está internado há três dias e, por isso, não foi preso. 

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