Troca de comando e saída de Moro deixam clima ruim na PF

Agentes e delegados estão apreensivos com as condições que a instituição será submetida com a troca do diretor geral e do ministro da Justiça

Clima nublado nos corredores da sede da Polícia Federal em Brasília

Clima nublado nos corredores da sede da Polícia Federal em Brasília

Reprodução/Google Street View

Apreensão, especulações e preocupações com o futuro passaram a ser sentimentos predominantes entre delegados da Polícia Federal que conversaram com o R7. Eles revelaram que as denúncias feitas por Sérgio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro deixaram um clima ruim na instituição.

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Nos corredores do "máscara negra", apelido da sede da Polícia Federal em Brasília, não se falava em outra coisa, a não ser a saída do ministro Sérgio Moro e os bastidores da exoneração do diretor-geral Maurício Valeixo, que para muitos já era esperada. 

Junto com isso, tanto em Brasília como em algumas superintendências da instituição nos estados, muito receio sobre quais condições de pressão e temperatura o novo diretor geral da PF será submetido. Outra dúvida é qual será o impacto de mudanças em posições chaves e seus impactos no curso de investigações.

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Alguns delegados federais avaliam ainda que, Alexandre Ramagem, nome ainda não oficializado, mas escolhido pelo presidente Bolsonaro para assumir o posto de diretor-geral da corporação, é visto como "um bom delegado", mas terá o maior desafio de sua carreira profissional se vier a assumir o cargo.

Além disto, há expectativas também sobre quem irá comandar o Ministério da Justiça, e qual a influência que irá exercer em toda a estrutura da Polícia Federal.

A ADPF (Associação dos Delegados da Polícia Federal) chegou a emitir uma nota em que diz que "as interferências externas atrapalham o andamento das investigações" e que "nenhuma instituição consegue se manter com trocas de comando frequentes."

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Esse posicionamento reflete a preocupação da categoria com a troca do comando da Polícia Federal, mas também o receio de qualquer tipo de interferência em sua atividade, teor de parte da denúncia de Moro.

Esse movimento fez crescer o apoio e empenho para, aqueles delegados e agentes federais que têm força, ampliarem pressões no Congresso Nacional para a aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que daria autonomia para o órgão, evitando interferências externas com garantias de verbas para as atividades de polícia judiciária federativa.

Apesar das preocupações e o clima ruim que se ergueram, há também um senso de união, que tem sido visto como o fio de esperança para garantir que nenhum tipo de interferência prejudique os trabalhos da Polícia Federal no país.