Operação Lava Jato
Brasil Troca de mensagens entre executivos da OAS mostra relação com Lula

Troca de mensagens entre executivos da OAS mostra relação com Lula

Conversas apontam lobby de ex-presidente em favor das construtoras em diversos países

Troca de mensagens entre executivos da OAS mostra relação com Lula

Mensagens entre executivos da OAS mostra relação com Lula

Mensagens entre executivos da OAS mostra relação com Lula

Ricardo Stuckert/11.06.2015/Instituto Lula

A PF (Polícia Federal) fez uma análise preliminar de mensagens de texto trocadas por celular entre executivos da construtora OAS, que estão sendo investigados na Operação Lava Jato.

O relatório mostra a relação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com esses executivos e o lobby de Lula em favor das construtoras brasileiras em países da África e da América Latina.

Nas mensagens trocadas entre José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS, conhecido como Léo Pinheiro e Augusto Cesar Uzêda (Cesar Uzêda), ex-diretor superintendente da OAS Internacional, Lula é chamado de "Brahma".

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No relatório, a PF afirma que a menção se refere a Lula a partir do cruzamento de dados. Um exemplo é a viagem do ex-presidente ao Peru, em junho de 2013, acompanhado de comitiva formada por executivos de empreiteiras, como OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, além de empresas como Embraer e Eletrobras.

Em uma mensagem, no dia 12 de novembro de 2013, Léo Pinheiro diz a Uzêda que “o Brahma quer fazer a Palestra dia 24/25 ou 26/11 em Santiago. Seria uma mesa redonda com 20 a 30 pessoas”.

Segundo a PF, Lula fez uma viagem de dois dias a Santiago, no Chile, onde ministrou palestra, nos dias 26 e 27 de novembro de 2013, conforme noticiado pelo site do Instituto Lula. No relatório, a Polícia Federal afirma que a viagem teria ocorrido a bordo de aeronave disponibilizada pela OAS.

Entre outros assuntos, segundo o documento da PF, as mensagens ainda comentam sobre o governo Dilma e sobre possíveis negociações envolvendo o carnaval carioca.

Dilma

Os executivos da OAS também fazem comparações entre a gestão do ex-presidente Lula e o da atual presidente Dilma Rousseff. No dia 12 de novembro de 2013, Uzêda diz que “a agenda nem de longe produz os efeitos das anteriores do governo Brahma, no entanto acho que ajuda a lubrificar as relações (a senhora não leva jeito , discurso fraco, confuso e desarticulado , falta carisma)”.

No ano anterior, dia 8 de dezembro de 2012, ele já havia dito a Léo Pinheiro que “o clima não esta bom para o governo, o modelo dá sinais de esgotamento e o estilo da número um tem boa parte da culpa. Acho que uma hora ela vai ter que mudar a relação com os empresários. Meu receio da sua ausência é a possível presença dos CEO's concorrentes caso haja algum encontro mais reservado, estas coisas são imprevisiveis em se tratando da moça”.

Carnaval

Entre as mensagens há menções ao Carnaval da escola de samba Beija-Flor, que recebeu patrocínio de R$ 10 milhões da Guiné Equatorial. Uzêda diz, no dia 29 de agosto de 2012, “estamos viabilizando o carnaval dele, Todorim que que [sic] ele faça o melhor carnaval da história do Ylê (acho que é briga no quilombo)”.

Em outra mensagem, em seguida, Uzêda complementa “estamos trabalhando para dividir o custo do carnaval dele com as empresas brasileiras que atuam na Guiné”.

O nome indica que ele se refere a Teodoro Obiang Mangue, o Teodorín, vice-presidente da Guiné Equatorial e filho do presidente Teodoro Obiang. Teodorín foi o idealizador do patrocínio à escola de samba carioca.