CPI da Covid

Brasil Vamos cobrar punição, sejam civis ou militares, diz Renan sobre CPI

Vamos cobrar punição, sejam civis ou militares, diz Renan sobre CPI

A fala do relator da comissão ocorre em meio à recente polêmica entre o presidente da CPI com a cúpula das Forças Armadas

Reuters
O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL)

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL)

Pedro França/Agência Senado - 09.07.2021

O relator da CPI da Covid no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta sexta-feira (9) que, com a produção de provas de suspeitas de irregularidades na compra de vacinas contra covid-19, a comissão de inquérito vai cobrar a punição de responsáveis, sejam eles civis ou militares, em meio à recente polêmica com a cúpula das Forças Armadas.

Leia também: CPI: consultor confirma inúmeros erros em documentos da Precisa

"Não vamos investigar instituição militar, longe de nós. Nós temos responsabilidade institucional. Agora, nós vamos investigar, sim, investigar o que aconteceu nos porões do Ministério da Saúde", disse.

"E na medida em que esses fatos forem sendo conhecidos e essas provas forem sendo apresentadas, nós vamos cobrar punição dos seus responsáveis, sejam eles civis ou sejam eles militares. Não importa, o que importa é que o povo brasileiro terá a resposta que essa comissão de inquérito dará", emendou.

A fala de Renan ocorre dias após o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), ter apontado o envolvimento de integrantes das Forças Armadas em um suposto esquema de pagamento de propina para a compra de vacinas contra covid.

Na ocasião, Omar afirmou que "as Forças Armadas, os bons das Forças Armadas, devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo".

A fala gerou reação quase imediata e, em nota, o ministro da Defesa e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica repudiaram as declarações de Omar por considerarem que elas desrespeitaram os militares e generalizaram "esquemas de corrupção".

"Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável", disse a nota assinada pelo ministro da Defesa, general do Exército da reserva Walter Braga Netto, e pelos comandantes do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira; da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, e da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior.

Na véspera, o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou, após conversar com Braga Netto que o mal-estar ocorrido entre a pasta, as Forças Armadas e o presidente da CPI foi esclarecido e está encerrado.

No momento, a comissão de inquérito tem no rol de investigados militares como o ex-ministro da Saúde, o general da ativa do Exército Eduardo Pazuello, e o ex-secretário-executivo da pasta, o coronel Elcio Franco.

No pronunciamento desta sexta, Renan disse que a comissão tem cumprido o seu papel de iluminar os porões do governo. Destacou que vai seguir investigando o que se precisa, mesmo tendo ressalvado que a CPI não tem o "apoio explícito" dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Últimas