João de Deus

Brasil Vítimas de João de Deus tinham de 9 a 67 anos, diz Ministério Público

Vítimas de João de Deus tinham de 9 a 67 anos, diz Ministério Público

Promotores da força-tarefa criada para investigar as denúncias contra o médium divulgaram balanço das apurações. Justiça decretou nova prisão

  • Brasil | Paulo Lima, do R7

Vítimas de João de Deus tinham entre 9 e 67 anos, segundo Ministério Público

Vítimas de João de Deus tinham entre 9 e 67 anos, segundo Ministério Público

Metropoles/Igo Estrela/Reuters - 16.12.2018

O procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto, e promotores integrantes da força-tarefa criada pelo Ministério Público de Goiás para investigar acusações contra o médium João de Deus divulgaram, nesta sexta-feira (21), um novo balanço sobre as investigações.

O promotor Luciano Meireles informou que o Ministério Público recebeu 596 contatos no e-mail criado especificamente para essa investigação.

Destes foram identificadas 255 possíveis vítimas do médium, tendo sido ouvidas formalmente 75 em Goiás e em outros estados até o momento.

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Destas 255 pessoas identificadas, 23 tinham entre 9 e 14 anos, na ocasião dos fatos; 28 entre 15 a 18 anos, e 70, e 28 com idade de 19 a 67 anos. Conforme adiantaram os promotores, os próximos passos incluem, além da continuação das oitivas das vítimas, o depoimento do próprio investigado e a apresentação de denúncia criminal de, pelo menos, três casos, cujos crimes são o de estupro, violência sexual mediante fraude e estupro de vulnerável.

Entre as vítimas identificadas, cujas mensagens foram encaminhadas exclusivamente para o canal de comunicação do MP goiano, estão as originadas de Brasília (39), de Goiás (21), do Rio Grande do Sul (20), Espírito Santos (11), Minas Gerais (15), Rio de Janeiro (7), Paraná (6), Santa Catarina (4), Mato Grosso (3), Mato Grosso do Sul (1), Maranhão (1), Pernambuco (1), Piauí (1) e Tocantins (1). As mensagens encaminhadas ao MP também vieram do exterior, como listaram os promotores, sendo elas dos Estados Unidos (4), da Austrália (3), da Alemanha (1), da Bélgica (1),

Vítimas

Sobre os relatos das vítimas, os promotores destacaram que o médium se valia da fé dos frequentadores; do respeito que elas tinham por ele; e da fragilidade das pessoas que, muitas, vezes estavam com graves doenças. Neste sentido, a coordenadora do Centro de Apoio Operacional, Patrícia Otoni, integrante da força-tarefa, destacou a preocupação que o MP tem tido para com as depoentes. “Antes mesmo dos depoimentos, as vítimas são atendidas por uma psicóloga da instituição, sendo a oitiva, que é feita por promotoras, acompanhada por essa profissional. Após essa etapa, as vítimas também são direcionadas à rede de atendimento psicossocial de seus municípios”, informou a coordenadora.

Busca e apreensão

Nesta sexta-feira (21), foi realizada nova busca na casa de atendimento do médium, em Abadiânia, para complementação do levantamento estrutural do empreendimento, em operação que envolveu a Polícia Civil e a Superintendência de Vigilância Sanitária. Segundo informou a promotora de Justiça Gabriella de Queiroz, que esteve no local com a coordenadora do CAODH, Patrícia Otoni, foram apreendidos novos materiais, cuja especificação será detalhada pela Polícia Civil, quando do término dos trabalhos. A Vigilância Sanitária também interditou parcialmente a farmácia que funciona no local, na parte que se refere à produção de medicamentos, pela manipulação contrária às normas sanitárias e más condições de acondicionamento de instrumento cirúrgico, o que gerou à instituição uma autuação administrativa, cujo teor será analisado pelos promotores para as devidas responsabilizações, assim que encaminhado ao MP.

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