Reforma da Previdência
Brasil Vitória não é do governo, mas sim de Rodrigo Maia, diz sociólogo

Vitória não é do governo, mas sim de Rodrigo Maia, diz sociólogo

Para o pesquisador Rogério Baptistini Mendes, a aprovação do texto da reforma representa uma vitória pela articulação de Rodrigo Maia 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chora no plenário da Casa

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chora no plenário da Casa

GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem o mérito pela aprovação do texto-base da reforma da Previdência, na noite desta quarta-feira, muito mais do que a articulação do governo.

Para o doutor em sociologia Rogério Baptistini Mendes, pesquisador de Política e Governo da Unesp de São Carlos, a aprovação representa uma vitória pela articulação de Maia e está longe de ser uma vitória do governo.

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"Bolsonaro tinha grande capital político no momento de sua posse, captado nas urnas, mas não soube utilizá-lo para conduzir a pauta reformista da sociedade, pauta está que inclui não só a reforma da Previdência, mas também a Tributária, a continuidade da reforma Trabalhista, do pacto federativo, entre outras", afirma Baptistini Mendes.

Ele avalia que Bolsonaro demonstrou nestes seis meses que se passaram de governo uma preocupação muito mais com o varejo da vida política, e com os temas de palanque que afiançaram sua eleição, do que com a grande política, que interfere nos destinos do país.

"Ao abrir mão dessa condução, ele não só criou embaraços para a aprovação da reforma da Previdência, como para as demais reformas, deixando seu ministro da economia em maus lençóis", avalia o sociólogo.

Baptistini afirma que, se não fosse a ação de Rodrigo Maia e suas lideranças, entre outras forças da Câmara dos Deputados, esse placar de 379 votos favoráveis contra 131 contra não teria sido conquistado.

"Bolsonaro neste momento pode comemorar, mas não pode cobrar com uma vitória sua, ainda que parcial, é muito mais de Rodrigo Maia", explica.

Baptistini analisa que a reforma veio desidratada e pode sofrer quando for para plenário e outras instâncias, sofrer outras mudanças, como a idade para mulheres, aposentadoria de professores e sobretudo de policiais.

"Considerando que bolsonaro não dispõe de uma base sólida, de um partido, tudo vai depender da condução do presidente da Câmara e do Senado, para que a reforma seja possível nesse cenário", conclui.