Brasil Wesley Batista é preso por suspeita de lucrar com delação da J&F

Wesley Batista é preso por suspeita de lucrar com delação da J&F

Antes de divulgar gravações com Temer, grupo comprou US$ 1 bilhão em dólares

Wesley Batista é preso por suspeita de lucrar com delação da J&F

Wesley foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo

Wesley foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo

13.09.2017/MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O empresário Wesley Batista, presidente da JBS e irmão mais velho de Joesley Batista, foi preso na manhã desta quarta-feira (13), em São Paulo, durante a 2ª fase da operação Tendão de Aquiles, que investiga o uso de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro. 

A investigação começou logo após a divulgação dos primeiros detalhes da delação premiada dos executivos da J&F, grupo que controla a JBS, em 17 de maio, quando foi revelada a gravação de uma conversa entre Joesley e o presidente Michel Temer.

Poucas horas antes de a gravação vir à tona, a J&F comprou, via corretoras, uma grande quantidade de dólares (estimada em mais de US$ 1 bilhão) no mercado futuro.

No dia seguinte, 18 de maio, o dólar disparou e a Bovespa despencou, a ponto de o pregão precisar ser momentaneamente interrompido. A operação rendeu lucro milionário à companhia, segundo Ministério Público Federal.

Wesley é o atual presidente das empresas do grupo JBS. Ele estava em sua casa em São Paulo e foi levado para a sede da Superintendência da Polícia Federal na Lapa, na zona Oeste da capital. Além de Wesley, os agentes da PF também tinha ordem para prender Joesley, que já estava preso.

A prisão de Wesley acontece três dias após a prisão temporária de Joesley, no último domingo, junto com o executivo Ricardo Saud. Agora, os dois irmãos vão aguardar presos os desdobramentos das investigações.

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal) , determinou a prisão  atendendo ao pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot.

A operação de hoje tem duas linhas de investigação. A primeira é a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS S/A na bolsa de valores, entre 24 de abril e 17 de maio, pela empresa FB Participações S/A, e a compra dessas ações, em mercado, por parte da empresa JBS S/A, manipulando o mercado e fazendo com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha.

A segunda é a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS S/A, em desacordo com a movimentação usual da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após o dia 17.

Defesa

O advogado Pierpaolo Cruz Bottini, que defende os irmãos Batistas, divulgou uma nota:

“Sobre a prisão dos irmãos Batista no inquérito de insider information (informações privilegiadas), é injusta, absurda e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos. O Estado brasileiro usa de todos os meios para promover uma vingança contra aqueles que colaboraram com a Justiça”, diz a nota.

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