Brasília Advogada de Bolsonaro citada na CPI: 'Fazer churrasco não é crime'

Advogada de Bolsonaro citada na CPI: 'Fazer churrasco não é crime'

Senadores disseram que houve jantar na casa de Karina Kufa com duas pessoas apontadas como lobistas da Precisa Medicamentos

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Reprodução/ Instagram

Citada na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, a advogada do presidente Jair Bolsonaro, Karina Kufa, divulgou uma nota em resposta à citação dela na última semana durante sessão da CPI. Segundo ela, os integrantes da comissão tentaram vincular seu nome "de forma irresponsável às supostas irregularidades na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde". Senadores disseram que houve jantar na casa de Karina com pessoas que seriam lobistas da Precisa. 

"Os malabarismos verbais, os comentários maliciosos e sem qualquer fundamento, me pareceram uma manobra da oposição para desgastar o presidente da República. Sem elementos concretos para enquadrar o chefe do Executivo, partiram para o ataque sem reservas contra mim e contra outras pessoas próximas a ele. Em respeito às pessoas que acompanham as sessões da CPI e, claro, em respeito à própria Comissão Parlamentar de Inquérito gostaria de deixar claro que não tenho qualquer vínculo com a compra ou venda de vacinas e testes para Covid", escreveu.

Karina afirmou que não advoga "para nenhuma empresa contratada na pandemia" e que não conhece representantes da Precisa Medicamentos. A empresa fechou um contrato com o Ministério da Saúde para venda de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech, a R$ 1,6 bilhão. O contrato foi cancelado na última semana após as denúncias feitas no âmbito da comissão.

Na última quinta-feira (26), a CPI ouviu José Ricardo Santana, ex-secretário-executivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os senadores apontam que ele teria atuado como lobista da Precisa, assim como o advogado Marconny Albernaz. No decorrer da oitiva, os senadores perguntaram a Santana se ele tinha conhecido Marconny em um jantar na casa de Karina em 23 de maio. O depoente alegou não se lembrar, mas confirmou conhecer Karina e que se encontra com a advogada e que tem alguns encontros sociais esporadicamente com ela.

"Fazer churrasco não é crime; conhecer pessoas não é crime; o anfitrião não está obrigatoriamente vinculado aos atos, anteriores ou posteriores, dos convidados. Devo dizer também que, no momento oportuno, buscarei reparação na Justiça contra todos aqueles que, de má-fé, propagam insinuações maliciosas e produzem fake news para manchar o meu nome", escreveu a advogado em nota.

Durante o depoimento da última semana, o senador Humberto Costa (PT-PE) perguntou se nesse jantar estava presente também o filho do presidente da República Jair Renan. A reportagem perguntou à advogada se ela poderia esclarecer a questão, mas não houve resposta.

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