Invasão do Planalto, STF e Congresso em Brasília

Brasília Aliados de Ibaneis avaliam que buscas são 'estapafúrdias'

Aliados de Ibaneis avaliam que buscas são 'estapafúrdias'

Procuradoria-Geral da República pediu buscas da PF em casa e em escritório do governador e no Palácio do Buriti

  • Brasília | Do R7

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foi alvo de operação da PF nesta sexta

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foi alvo de operação da PF nesta sexta

Paulo H. Carvalho/Agência Brasília - 25.11.2022

Aliados do governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), avaliam que a operação da Polícia Federal desta sexta-feira (20) é "estapafúrdia". A pedido da Procuradoria-Geral da República e com a autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na casa e no escritório de advocacia do governador, bem como no Palácio do Buriti, para investigar a responsabilidade de Ibaneis nos atos de vandalismo em prédios públicos de Brasília em 8 de janeiro.

Fontes ligadas a Ibaneis ouvidas pelo R7 reclamam de atuação do procurador-geral da República, Augusto Aras. As investigações, no entanto, são conduzidas pelo subprocurador Carlos Frederico Santos.

As buscas no escritório do governador, sobretudo, são criticadas pelo grupo ligado a Ibaneis Rocha devido ao suposto risco de quebra do sigilo de clientes. Em nota compartilhada em um aplicativo de mensagens, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, questionou a ação. 

"Ibaneis foi presidente da OAB e era, até a posse no cargo de governador, um advogado militante com intensa atuação. A busca e apreensão atinge por tabela todos os clientes, com a quebra do sigilo sagrado entre advogado e cliente", disse.

Kakay argumenta que não é uma questão política, mas de respeito aos direitos do advogado e dos que precisam se socorrer da advocacia. "Na verdade, é um atentado à estabilidade democrática. É assim que se instalam a arbitrariedade e o abuso contra o Estado democrático de Direito."

A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB/DF) acompanhou as buscas no escritório de Ibaneis. "Como é imposição legal, [a OAB] acompanha casos em que a Justiça determina busca e apreensão contra escritórios de advocacia em vista de não serem feridas as suas prerrogativas profissionais e sempre no estrito cumprimento da ordem judicial. Assim fez, acompanhando a ação, especificamente, no escritório de advocacia, do qual, ressalta-se, o governador Ibaneis Rocha está licenciado por exercer cargo incompatível com a advocacia", disse a entidade, em nota.

Buscas em endereços ligados ao governador

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao governador nesta sexta. Havia ao menos sete agentes da PF na casa do governador por volta das 15h30. Ibaneis é investigado por suposta omissão e inação nos ataques à sedes dos poderes da República em 8 de janeiro por grupos de extremistas inconformados com o resultado da eleição.

De acordo com informações obtidas pelo R7, também ocorreram buscas no Palácio do Buriti, sede do governo local. Além de Ibaneis, é alvo das buscas Fernando Oliveira, ex-secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública do DF.

Em nota, os advogados de defesa de Ibaneis, Alberto Toron e Cleber Lopes, disseram que o mandado de busca e apreensão na casa do governador afastado e no seu antigo escritório foi "inesperado". "O governador sempre agiu de maneira colaborativa em relação à apuração dos fatos em referência; certamente será a prova definitiva da inocência do chefe do Executivo do Distrito Federal", diz o texto.

Ibaneis usou as redes sociais no início da noite desta sexta para negar relação com os atos de vandalismo nas sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro.

"Não há nada que possa me ligar aos golpistas que atacaram os Três Poderes. Eu sempre me comportei de modo a colaborar com as investigações e mantenho a mesma postura. Cheguei a fazer um depoimento espontâneo à Polícia Federal, mostrando que não há o que temer", escreveu o emedebista.

Últimas