Inflação

Brasília Alta do gás deve impactar inflação, diz Campos Neto

Alta do gás deve impactar inflação, diz Campos Neto

Segundo presidente do Banco Central, os resultados divulgados nesta sexta estão alinhados às projeções da instituição

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

Banco Central do Brasil / Flickr

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou, nesta sexta-feira (8), que a alta do gás, anunciada hoje, deve piorar as expectativas da inflação no país. Para Campos Neto, o atual índice inflacionário é resultado de uma combinação de fatores, como a queda de produção, o aumento do preço das commodities, como o petróleo e seus derivados, a alta do câmbio e uma elevação do consumo. A alta do gás, portanto, deve impactar as expectativas. "O salto [em relação à inflação] provavelmente ficará pior com o anúncio do aumento do gás."

De acordo com os dados divulgados nesta sexta (8), relativos a setembro, a inflação oficial de preços disparou 1,16%, representando o maior avanço para o mês desde 1994, quando o índice foi de 1,53%. Durante a apresentação nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), em evento virtual promovido pelo banco Itaú, Campos Neto disse que, agora, o Banco Central se empenha em perseguir a meta da inflação para o ano que vem. "Quero passar a mensagem de que estamos olhando para 2022."

As metas de inflação são de 3,5% para 2022, enquanto o BC projeta um índice de 3,7%. Para 2023, enquanto a meta é de 3,25%, a da autoridade monetária é traçada em 3,2%.

A retomada da inflação, no entanto, é um dos indicativos para a retomada econômica do Brasil, na avaliação do presidente do BC. "Inseguranças" no mercado corroboram para o atual cenário. Campos ressaltou a necessidade de ter "uma visão melhor sobre qual política fiscal teremos à frente" para clarear as previsões. Entre os temas ele citou a Reforma do Imposto de Renda, a continuidade e a ampliação do Bolsa Família e a PEC dos Precatórios.

Sobre o mercado de trabalho, ele destacou que, no setor formal, muitos ainda não recuperaram seus postos e que a informalidade, por mais que demonstre uma melhora, indicada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), terá recuperacão "muito lenta". "Quando a pandemia acabar, precisamos olhar qual o nosso crescimento estrutural", disse. Por enquanto, para ele, os indicadores de alta frequência de atividade econômica mostram melhora ou estabilidade. Já o índice gerentes de compras do Brasil é melhor que o dos emergentes.

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