Inflação

Brasília Alta do INPC revela fragilidade econômica dos mais pobres

Alta do INPC revela fragilidade econômica dos mais pobres

Índice ficou abaixo do IPCA em outubro, mas 1,2 ponto percentual acima no acumulado de 12 meses

  • Brasília | Luiz Calcagno, do R7, em Brasília

A inflação de outubro corroeu o poder de compra dos brasilienses

A inflação de outubro corroeu o poder de compra dos brasilienses

Acácio Pinheiro/Agência Brasília

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de outubro, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) mostrou que a pressão inflacionária é mais forte entre os mais pobres. O INPC analisa a cesta de consumo das pessoas que ganham de um a cinco salários mínimos. No acumulado de 12 meses, o índice revelou uma inflação de 10,5%, maior que a do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que ficou em 9,3%.

O aumento do índice no mês de outubro, em relação a setembro, foi de 1,01%, mais baixo que o do IPCA, que registrou o valor mais alto para o mês desde 2002, de 1,25%. Isso ocorreu, de acordo com a economista e pesquisadora da Codeplan (Companhia de Planejamento do DF) Jéssica Milker, porque o peso inflacionário dos transportes tem um peso menor para a faixa mais pobre da população.

Ao mesmo tempo, a faixa mais pobre dos brasileiros teve um pequeno alívio na conta de luz, o que ajudou a puxar o valor da inflação de outubro para baixo. “O governo federal decidiu reduzir a bandeira tarifária para as famílias do programa Tarifa Social. Reduziu a bandeira de escassez hídrica para a bandeira vermelha de patamar 2. Isso fez com que o gasto de energia elétrica para essas famílias fosse menor”, explicou a economista.

A pesquisadora destacou que a participação dos grupos de transportes, alimentação e bebidas, habitação e outros na composição do INPC segue o mesmo padrão do IPCA. “As contribuições dos grupos para a alta [nos transportes] foram menores, enquanto a de baixa [na habitação] foi maior”. “O caso do transporte, como a faixa de renda pesquisada do INPC tem um gasto menor com passagem aérea, perceberam menos o aumento de preços”, afirmou.

“Em compensação, em alimentos e bebidas, o INPC tem um peso maior. Mas, como a energia elétrica pesa bastante no orçamento das famílias de mais baixa renda pesquisadas no INPC, a percepção de queda foi bastante superior à percebida pelo IPCA. O acumulado de 12 meses mostra, no entanto, que as famílias de baixa renda estão com inflação superior à percebida pelas famílias do IPCA”, apontou.

Isso mostra, segundo a pesquisadora, que o poder de compra das famílias mais pobres continua a se deteriorar no país, mesmo que o resultado mensal tenha sido mais suave para essa parcela que abrange a maioria dos brasileiros. “O valor do acumulado é ruim, pois deteriora o poder de compra das famílias, por ser alto, e porque as famílias de baixa renda estão sofrendo mais com o aumento de preços. [Essas famílias] têm baixo poder aquisitivo, e estamos diminuindo, deteriorando o poder de compra dessas famílias de forma mais intensa que a média do país”, alertou.

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