Brasília Bolsonaro diz que críticos não entenderam nota de pacificação

Bolsonaro diz que críticos não entenderam nota de pacificação

Presidente disse que problemas se acumularam ao longo de 30, 40 anos e que nada se resolve com imediatismo

  • Brasília | Lucas Nanini, do R7, e Daniel Trevor, da Record TV

O presidente Jair Bolsonaro fala com apoiadores na saída do Palácio do Planalto, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro fala com apoiadores na saída do Palácio do Planalto, em Brasília

YouTube/Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou a apoiadores presentes em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, que aqueles que o criticaram pelo conteúdo da carta de pacificação, divulgada nessa quinta-feira (9) devido à crise política, “não entenderam a nota”.

“Cada um fala o que quiser. O cara não lê a nota e reclama. Leia a nota, é bem curtinha, duas, três vezes. São dez pequenos itens. Entenda. A gente vai acertando, a gente vai acertando. O acúmulo de lixo, de problemas, tem 30, 40 anos” afirmou Bolsonaro a apoiadores nesta sexta-feira (10).

O presidente mencionou que a divulgação da carta provocou a alta da Bolsa de Valores e a queda do dólar. Ele também falou sobre a participação dos apoiadores nos atos do 7 Setembro.

“Se o dólar dispara, influencia combustível, gás de cozinha. Foi excepcional o trabalho de vocês [engajamento nas manifestações no 7 de Setembro]. O retrato está no mundo todo e aqui também em Brasília. Todo mundo viu o que está acontecendo”, afirmou.

Bolsonaro concluiu dizendo que as melhorias virão ao longo do trabalho. “Alguns querem imediatismo. Se você namorar e casar em uma semana, vai dar errado seu casamento.”

A carta citada pelo presidente foi divulgada após uma reunião dele com o ex-presidente Michel Temer nesta quinta, em Brasília. O encontro, que ocorreu no Palácio do Planalto, serviu como discussão sobre a crise política entre os Poderes, especialmente Executivo e Judiciário, e uma possível paralisação dos caminhoneiros. Por sugestão de Temer, Bolsonaro fez um manifesto pela pacificação do país.

Leia a íntegra declaração à nação do presidente da República:

"Declaração à Nação

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA

Jair Bolsonaro

Presidente da República federativa do Brasil"

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