Brasília Bolsonaro diz que foi 'apenas um na multidão' no 7 de Setembro

Bolsonaro diz que foi 'apenas um na multidão' no 7 de Setembro

Presidente discursou na Expointer, feira do agronegócio em Esteio, no Rio Grande do Sul

  • Brasília | Jéssica Moura, do R7, em Brasília

Fernando Bizerra/EFE - 07.09.2021

Dois dias depois de publicar a "Declaração à nação", em que recuou do discurso proferido durante as manifestações do 7 de Setembro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a afirmar que falou no 'calor do momento' para justificar os ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

"No 7 de Setembro, fui apenas um na multidão. Tive a oportunidade de usar a palavra por duas vezes e senti o calor da nossa população, e os reais motivos que esse povo foi às ruas", afirmou, durante discurso na 44ª Expointer, em Esteio (RS), neste sábado (11).

"Não aceitam retrocesso, o povo quer respeito á Constituição por parte de todos. Eles sabem que não podem deixar de lado a defesa da nossa liberdade", prosseguiu. "Não é esse ou aquele poder sair vitorioso, a virtória tem que ser do povo brasileiro".

Bolsonaro viajou ao estado para participar da feira agro, considerada uma das mais importantes do setor, onde gerou aglomeração entre os participantes. O deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS) transmitiu ao vivo a visita do presidente, que viajou acompanhado do filho, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Na transmissão, Nunes chegou a dizer que Bolsonaro demonstrou receio em relação ao público por conta da divulgação da "Declaração à nação", em que moderou o tom das críticas em relação ao STF. Isso porque bolsonaristas expressaram descontentamento com o recuo do presidente.

Na carta, escrita com ajuda do ex-presidente Michel Temer, ele ressalta que não "a intenção de agredir quaisquer poderes", e também que suas "palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum"

Sem máscara, Bolsonaro cumprimentou apoiadores, que o chamavam de "mito", e posou para fotos, antes de receber a medalha de mérito Farroupilha.

Marco temporal

Embora tenha tantado reforçar uma linha de conciliação, o presidente criticou o voto do ministro Luis Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que se manifestou pela rejeição da tese do marco temporal, que determina que os povos indígenas só poderiam reclamar a demarcação de terras que fossem ocupadas por eles em 5 de outubro de 1988. 

"Se essa proposta do ministro Fachin vingar, será proposto a demarcação de novas terras indígenas, o que equivale ao fim do agronegócio, nada mais do que isso", discursou o presidente. Ele falou durante a entrega da medalha de mérito Farroupilha, condecoração da Assembleia Legislativa do Estado.

Durante seu governo, Bolsonaro não homologou a demarcação de nenhum território indígena. Desde 22 de agosto, lideranças indígenas estão acampadas em Brasília para acompanhar a votação do caso no STF, que deve prosseguir na próxima semana, após o voto do relator.

Pandemia

Apesar de, nos últimos dias, defender a harmonia entre as instituições, Bolsonaro reiterou a desaprovação em relação aos governadores e prefeitos no enfrentamento da pandemia de Covid-19, e refutou a eficácia de medidas como o isolamento social. "Algumas coisas foram feitas de forma equivocada, não pelo nosso governo, no tratamento da pandemia", frisou, ao dizer que a economia e saúde têm de "andar de mãos dadas".

"Desde o primeiro momento, não defendemos o 'fique em casa' e economia a gente vê depois. nunca apoiamos lockdown, medidas restritivas, toque de recolher, entre outros. A população tinha que trabalhar", acrescentou. "A decisão na ponta da linha sempre coube a governadores e prefeitos, sofremos juntos. Hoje sabemos o que alguns que dizer defender a vida podem fazer contra a nossa população", afirmou Bolsonaro.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 584.421 pessoas morreram de Covid-19 no país desde o início da pandemia e 20.928.008 de pacientes tiveram o diagnóstico para a infecção confirmado.

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