Brasília Bolsonaro diz que reajuste salarial de 5% desagrada a 'todo mundo'

Bolsonaro diz que reajuste salarial de 5% desagrada a 'todo mundo'

Chefe do Executivo reconheceu que há impasse diante da possibilidade de conceder aumento a servidores públicos

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro cercado de agentes da Polícia Rodoviária Federal

O presidente Jair Bolsonaro cercado de agentes da Polícia Rodoviária Federal

Valdenio Vieira/PR

O presidente Jair Bolsonaro reconheceu, nesta sexta-feira (29), que há impasse diante da possibilidade de reajuste salarial para os servidores públicos federais do país e que a alternativa de conceder 5% de aumento "desagrada a todo mundo".

De acordo com o presidente, o primeiro impasse ocorreu durante a articulação do governo para conceder aumento salarial e promover a reestruturação das carreiras dos agentes das forças de segurança pública: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Departamento Penitenciário Nacional.

Na sequência, as demais categorias, como Receita Federal e Banco do Brasil, reagiram à possibilidade e também defenderam aumento para seus membros. "Começaram a ameaçar o governo e [dizer] 'vamos parar o Brasil se não tiver para todo mundo' também", relatou Bolsonaro, reconhecendo que o país teria problemas sérios caso a greve ocorresse.

Para resolver o impasse, o presidente escalou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, para arrefecer os ânimos dos policiais e discutir alternativas. Na época, o governo tentava elaborar um texto em que abordava o reajuste e a reestruturação, mas que não chegou a ser enviado ao Congresso Nacional. "Por até mesmo essa medida provisória cair no STF, tendo em vista eu estar privilegiando duas categorias que são simpáticas a minha pessoa."

Bolsonaro contou, então, que começou a ser ventilada outra possibilidade, de conceder reajuste salarial de 5% a todos os servidores públicos federais do país, mas que "desagrada a todo mundo". Segundo o chefe do Executivo, essa alternativa acarreta cortes em todos os ministérios, sem exceção.

Para cumprir o reajuste, o Executivo terá de diminuir os recursos de outros setores do governo. De acordo com a Lei Orçamentária de 2022, apenas R$ 1,7 bilhão podem ser usados para correções neste ano. Os 5% vão fazer com que o governo tenha de gastar até R$ 6,3 bilhões com a medida.

"Eu quero ajudar a todos os servidores do Brasil, sempre defendi reajuste, mas não tem como dar mais do que temos no momento, que custa em torno de R$ 7 bilhões. Todos os ministérios, sem exceção, estão sofrendo cortes para eu arranjar os R$ 7 bilhões e atendê-los, e tenho uma lei do teto de gastos", afirmou Bolsonaro em entrevista a uma rádio de Cuiabá.

Policiais federais realizaram, na última quinta-feira (28), protestos em diversas cidades do país. Eles pedem ao presidente que "cumpra" o compromisso de valorização das forças de segurança pública e conceda reestruturação e reajuste salarial.

Os atos têm o apoio da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais), Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) e Fenadepol (Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal).

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