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Brasília Bolsonaro é 'político medíocre' sem noção de limites, diz Celso de Mello

Bolsonaro é 'político medíocre' sem noção de limites, diz Celso de Mello

Após discurso do presidente no 7 de setembro, ex-ministro do Supremo afirmou que Bolsonaro não está à altura do cargo

  • Brasília | Gabriel Croquer, do R7, e Clébio Cavagnolle, da Record TV

Ministro Celso de Mello se aposentou do STF em outubro do ano passado

Ministro Celso de Mello se aposentou do STF em outubro do ano passado

Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ex-ministro decano do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello chamou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de "político medíocre e sem noção dos limites éticos e constitucionais". Em dura mensagem ao mandatário, que discursou a apoiadores neste feriado de 7 de setembro ameaçando ministros do Supremo, Mello ainda afirmou que Bolsonaro não está — e jamais esteve — à altura do cargo de presidente da República. 

"Os discursos de Bolsonaro, em Brasília e em São Paulo, revelam a triste figura (e a distorcida mente autocrática) de um político medíocre e sem noção dos limites éticos e constitucionais que devem pautar a conduta de um verdadeiro Chefe de Estado que seja capaz de respeitar o dogma fundamental da separação de poderes!", criticou Mello, em nota.

"Na realidade, Bolsonaro é um político que não está, como jamais esteve, à altura do cargo que exerce, pois lhe faltam estatura presidencial e senso de estadista!!!", completou. 

Mello prossegue e afirma que Bolsonaro degradou-se ainda mais em sua condição de presidente e que os discursos revelam que Bolsonaro não se ervergonha de "desrespeitar e vilipendiar o sentido essencial das instituições da República".

O ex-ministro finaliza a nota afirmando que a reação aos discursos de Bolsonaro só podem ser uma: a insurgência de cidadãos, com a ajuda dos Poderes Legislativo e Judiciário, contra "excessos governamentais e o arbítrio dos governantes indignos". 

Leia a nota na íntegra abaixo

Os discursos de Bolsonaro, em Brasília e em São Paulo, revelam a triste figura (e a distorcida mente autocrática) de um político medíocre e sem noção dos limites éticos e constitucionais que devem pautar a conduta de um verdadeiro Chefe de Estado que seja capaz de respeitar o dogma fundamental da separação de poderes! Na realidade, Bolsonaro é um político que não está, como jamais esteve, à altura do cargo que exerce, pois lhe faltam estatura presidencial e senso de estadista!!! Com esses discursos ofensivos e transgressores da autonomia institucional do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, incompatíveis com os padrões mais elevados da Constituição democrática que nos rege, Bolsonaro degradou-se, ainda mais, em sua condição política de Presidente da República e despojou-se de toda respeitabilidade que imaginava possuir! Essa conduta de Bolsonaro revela a figura sombria de um governante que não se envergonha de desrespeitar e vilipendiar o sentido essencial das instituições da República! É preciso repelir, por isso mesmo, os ensaios autocráticos e os gestos e impulsos de subversão da institucionalidade praticados por aqueles que exercem o poder! Há que se ter sempre presente a grave advertência do saudoso e eminente Ministro Aliomar Baleeiro, do Supremo Tribunal Federal, em manifestação que recordava ao nosso País que, enquanto houver cidadãos dispostos a submeter-se e a curvar-se ao arbítrio e à prepotência do poder, sempre haverá vocação de ditadores… Daí a significativa e vital importância do Poder Judiciário cujos magistrados saberão agir com independência e liberdade decisória, dispensando tutela efetiva aos direitos básicos da cidadania! A resposta do povo brasileiro aos discursos deste Sete de Setembro de 2021, indignos da importância da data nacional que celebramos, só pode ser uma: as tentações autoritárias e as práticas governamentais abusivas que degradam e deslegitimam o sentido democrático das instituições e a sacralidade da Constituição traduzem justa razão para a cidadania, valendo-se dos meios legítimos proporcionados pela Constituição da República, insurgir-se, por intermédio dos Poderes Legislativo e Judiciário, contra os excessos governamentais e o arbítrio dos governantes indignos!

Celso de Mello

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