Inflação

Brasília Brasília teve a maior inflação para outubro em quase 20 anos

Brasília teve a maior inflação para outubro em quase 20 anos

Inflação de 1,25% no mês de outubro é a maior registrada na série histórica do IBGE, desde 2002

  • Brasília | Alan Rios e Luiz Calcagno, do R7, em Brasília

A cesta de transportes puxou a inflação do IPCA, com influência das passagens aéreas

A cesta de transportes puxou a inflação do IPCA, com influência das passagens aéreas

Estadão Conteúdo

Brasília registrou a maior inflação para o mês de outubro na série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), publicados nesta quarta-feira (10), mostram uma inflação de 1,25% relativa ao mês passado, maior marca desde 2002, quando o instituto começou os levantamentos.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, oito tiveram altas de preços em outubro na capital. Os maiores impactos e a maior variação mensal vieram dos grupos de transportes, em que houve aumento nos preços de 11,7%. O setor de alimentação e bebidas teve variação mensal de 1,74%. A inflação só não foi maior por causa do setor de habitação, que teve uma queda puxada pela energia elétrica das famílias mais pobres.

Técnicos da Codeplan (Companhia de Planejamento do DF) e da Ceasa (Centrais de Abastecimento do DF) comentaram o aumento e como ele impactou na mesa do brasiliense. A economista e pesquisadora da Codeplan Jéssika Milker destacou que a alta nos preços está difundida e a recuperação não será fácil. “Vemos uma aceleração. No mês passado ficou em 0,7%, dando um acalento, mas outubro mostrou que a inflação não está controlada. É a sexta maior do país no mês, embora seja a segunda menor variação no país nos 12 meses, perdendo apenas para Belém (PA)”, explicou.

O acumulado de 12 meses ficou em 9,3%, inferior aos 10,67% da média nacional. O aumento no setor de transportes, puxado pelas passagens aéreas e gasolina, representou 59% do índice geral de outubro. “Estamos vivendo um momento de desvalorização do real frente ao dólar. E as companhias aéreas têm a maior parte do custo indexado à moeda internacional. Quando tem uma desvalorização, as empresas aéreas têm um aumento do seu custo, o que faz com que a passagem aérea suba”, detalhou.

Para completar, o aumento da mobilidade com a vacinação e a queda no número de mortes na pandemia fez com que a procura por passagens aéreas subisse, provocando uma pressão de custos e de demanda. “A desvalorização do real também influencia o preço da gasolina. a cotação do barril é feita em dólar. O momento de valorização da comodditie somado à desvalorização do real torna ainda mais intensa a variação do preço do combustíve”, acrescentou Milker.

Já na habitação, a energia elétrica teve variação de -1,67%, com queda de 5 pontos percentuais. “O governo federal decidiu reduzir a bandeira tarifária para as famílias do programa tarifa social. Reduziu a bandeira de escassez hídrica para a bandeira vermelha de patamar 2. Isso fez com que o gasto de energia elétrica para essas famílias fosse menor”, lembrou.

“A faixa de renda alta percebeu uma inflação acima da calculada pelo IPCA, chegando a 1,45%. Essa faixa de renda é a que viaja mais. Tem um peso maior do ítem de transporte, que foi o foco da inflação do mês. As famílias de baixa renda tiveram inflação de 0,99%. Elas têm um gasto menor com o ítem de transporte, e por gastarem a maior parte do orçamento com energia elétrica, o que contribuiu para segurar uma inflação maior no período”, acrescentou a economista.

Inflação disseminada

A alta de oito dos nove grupos pesquisados pelo IBGE indica, de acordo com Milker, uma inflação disseminada. “A inflação que vivemos se deve a fatores transitórios da economia. Mas, por se manter com trajetória de alta, faz com que a tendência de longo prazo também apresente uma trajetória ascendente. Isso mostra que estamos com uma inflação que se perpetua, persistente, acima do limite superior da meta da inflação para 2021, que é de 5,25%”, destacou a pesquisadora.

A variação acumulada em 12 meses mostra que Brasília tem uma inflação em trajetória crescente no patamar de 9,3%, um pouco abaixo do limite superior da média percebida pelo Brasil como um todo, de 10,67%. “No acumulado em 12 meses, percebemos três grupos contribuindo para a manutenção da alta dos preços. O grupo de transportes é o maior vetor inflacionário, seguido por alimentação e bebidas e habitação. E são um grupo de produtos e serviços essenciais para a população”, lembrou a técnica da Codeplan.

Últimas