CPI da Covid

Brasília
Calheiros inclui Ricardo Santana na lista de investigados da CPI


Calheiros inclui Ricardo Santana na lista de investigados da CPI

Depoente irritou senadores ao alegar que não se lembrava de fatos abordados na comissão

  • Brasília | Isabella Macedo, do R7, em Brasília

Jefferson Rudy/Agência Senado - 26.08.2021

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou, no início da tarde desta quinta-feira (26/8), que incluirá o nome de José Ricardo Santana na lista de investigados da comissão. Na quarta-feira (25/8), Calheiros já havia incluído outros três nomes ao rol de investigados pela CPI.

José Ricardo Santana é ex-secretário-executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e apontado como um dos participantes do jantar em que Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística (DLog) do Ministério da Saúde, teria pedido propina de US$ 1 a mais no valor das vacinas ofertadas pela Davati Medical Supply.

Santana irritou os senadores ao se recusar a responder perguntas feitas pela comissão alegando não se recordar dos fatos citados.

“Estou indignado, não consigo conter a minha indignação. Estou dizendo isso para pedir desculpas se eu for deselegante. Mas nós, durante esse período todo de funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito, nos submetemos a isso quase que diariamente. Isso é um escárnio”, disse Calheiros antes de anunciar que Santana seria formalmente integrado à lista de investigados.

“Diante desse escárnio reiterado, repetido, queria dizer que como relator dessa Comissão Parlamentar de Inquérito, gostaria de elevar a testemunha, nesse momento, à condição de investigado”, completou o senador.

A “falta de memória” de Santana já tinha despertado reações indignadas dos senadores. O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), chegou a afirmar que o depoente não chegaria à Anvisa, onde trabalhou, sendo um “desmemoriado”.

“Meu irmão, vou dizer uma coisa pra ti... Meu amigo, isso é uma conversa pra boi dormir, rapaz. Dizer que não lembra de nada? Você não é tolo, você não chega à Anvisa sendo tolo, você não vai pro Ministério da Saúde sendo tolo e desmemoriado, amigo”, reclamou Aziz.

Santana é apontado como figura próxima de Francisco Maximiano, sócio da Precisa, que firmou contrato de R$ 1,6 bilhão com o Ministério da Saúde para a venda de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin. O depoente também foi apontado como participante de um jantar em que Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, teria pedido proprina de US$ 1 por dose de vacina ao cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominghetti, vendedor autônomo de vacina da empresa americana Davati Medical Supply.

O jantar ocorreu em 25 de fevereiro, mesma data de assinatura do contrato do governo com a Precisa. No requerimento de convocação de Santana, o relator afirma que Santana é “ligação direta com Francisco Emerson Maximiano, suas empresas e sócios, mas também com Roberto Ferreira Dias”.

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