CPI da Covid

Brasília Calheiros sobre '04': 'Ameaça de fedelho não vai intimidar essa CPI'

Calheiros sobre '04': 'Ameaça de fedelho não vai intimidar essa CPI'

Vídeo de Renan Bolsonaro mostrando armas e fazendo menção à comissão foi motivo de questão de ordem na sessão desta terça

  • Brasília | Bruna Lima e Isabella Macedo, do R7, em Brasília

Renan Bolsonaro fazendo gesto de arma

Renan Bolsonaro fazendo gesto de arma

Reprodução

O vídeo publicado pelo filho 04 do presidente Jair Bolsonaro, Jair Renan, foi motivo de discussão durante a abertura dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, nesta terça-feira (21). Senadores solicitaram que Jair Renan Bolsonaro responda por crime de ameaça à comissão e aos parlamentares. O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), mandou recardo: "Ameaça de um fedelho não vai intimidar essa comissão".

O senador Regério Carvalho (PT-SE) foi quem solicitou questão de ordem para solicitar que o caso fosse analisado criminalmente. O parlamentar mencionou o artigo 4º da Lei 1.579, cujo texto diz que "constitui crime impedir, ou tentar impedir, mediante violência, ameaça ou assuadas, o regular funcionamento de Comissão Parlamentar de Inquérito, ou o livre exercício das atribuições de qualquer dos seus membros".

Segundo Carvalho, o vídeo postado nesta segunda-feira (20) nas redes sociais por Renan é uma "ameaça velada aos trabalhos e membros desta comissão". "Ao agir dessa forma, ele quis obviamente intimidar essa CPI que deu luz à troca de favores entre o filho do presidente e o lobista da Precisa, Marconny Faria."

O filho 04 do presidente Jair Bolsonaro fez uma postagem mostrando ao menos dez pistolas, ocasião em que chamou as armas de "brinquedo" e escreveu na publicação "Alo CPI" (sic), frase acompanhada por risos.

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), reproduziu o vídeo na CPI e solicitou que Renan fosse ouvido pela delegacia de policia à disposição dos parlamentares, lembrando que, "embora seja filho do presidente da República, Renan não tem foro privilegiado".

Na avaliação do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), caberá ao líder do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tomar as providências em relação ao caso. Aziz disse já ter conversado com o presidente do Senado sobre o tema e o mineiro teria demonstrou solidariedade, concordando   tratar-se de uma ameaça velada.

"Ele, primeiro, se solidarizou com os membros da CPI. Dizia que era inaceitável, um absurdo esse tipo de comportamento seja de quem for. É uma ameaça velada, sim, e que ele iria tomar as providências como presidente do Senado. A própria CPI pode tomar as providências, mas preferi que fosse o presidente. Porque essa CPI não é essa comissão, a CPI é do Senado", afirmou Aziz.

Após a repercussão do vídeo, um requerimento para convocar Renan Bolsonaro também foi protocolado e caberá à CPI colocar o texto em pauta e votá-lo. O motivo do pedido, aberto pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) vai além das ameças à CPI. Vieira quer esclarecimentos sobre o vínculo do 04 com Marconny. 

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