CPI da Covid

Brasília CPI: Diretor da Prevent Senior nega envio de 'kit covid' a pacientes

CPI: Diretor da Prevent Senior nega envio de 'kit covid' a pacientes

Comissão apura suspeita de que operadora enviava kit com cloroquina e outros medicamentos a beneficiários sem consulta

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, de Brasília

Diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, nega acusações

Diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, nega acusações

Jefferson Rudy/Agência Senado - 22.09.2021

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, nesta quarta-feira (22/9), o diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, negou que a empresa enviasse o chamado ‘kit covid’ para beneficiários da operadora. Os senadores apuram denúncias de que a operadora enviava os chamados ‘kit covid’, com cloroquina e outros medicamentos sem eficácia comprovada contra covid-19, a beneficiários que relatavam sintomas que poderiam ser da doença, sem passar por consulta.

“Eram enviadas as medicações prescritas pelos médicos. Nunca houve kit. Variavam as prescrições. O que foi enviado foram medicações conforme a prescrição médica”, afirmou, em resposta ao relator Renan Calheiros (MDB-AL). O senador ainda questionou se havia orientação de algum diretor para a indicação dos medicamentos, o que Benedito Batista negou.

Uma denúncia obtida pelo R7, e revelada na última terça-feira (21), mostrou que um segurado da Prevent afirmou que a operadora encaminhou diversos medicamentos sem que ele detalhasse seu estado de saúde. Ele afirmou que teve tosse e, com medo de estar infectado com o coronavírus, usou o aplicativo oferecido pela operadora. Em seguida, recebeu um "termo de consentimento livre e esclarecido" e o assinou, ao entender que seria necessário para seguir com o atendimento.

Dias depois, ele disse ter recebido em casa um kit com prednisona, ivermectina, azitromicina, colchicina, hidroxicloroquina, colecalciferol e vitaminas, prescritos pelo médico Rafael Souza da Silva, que não chegou a atendê-lo. O R7 teve acesso a uma análise da denúncia encaminhada por um grupo de médicos, assim como o resumo da referida denúncia de um beneficiário.

Segundo os documentos, os kits eram enviados às casas dos clientes do plano com uma receita padrão, idêntica, e assinada pelo mesmo médico. Cada consultório dos hospitais da Prevent, segundo a denúncia, tinha kits que deveriam ser entregues aos pacientes com sintomas gripais, mesmo sem teste para covid-19.

Sobre a denúncia envolvendo o kit covid, a assessoria da empresa não negou o envio do kit, informou que a Prevent enviava os medicamentos a pessoas que não tinham necessidade de internação, durante o período de isolamento social. De acordo com a assessoria, os pacientes eram monitorados diariamente, e o kit era enviado mediante assinatura de termo de consentimento.

Além disso, denúncia enviada à CPI mostram diálogos de WhatsApp que apontariam indicação do uso dos medicamentos do chamado 'tratamento precoce'. Um outro diálogo de abril do ano passado fala de 'golden day', que seria a indicação do início do tratamento com hidroxicloroquina e azitromicina. "Golden day é o segundo dia de início dos sintomas. Acerte o alvo. O segundo dia de sintomas é o que queremos. E o melhor: a prescrição está na sua mão", diz mensagem.

Outras mensagens de junho do ano passado, uma pessoa identificada como médico de uma das unidades da Prevent mostra um gráfico que diz que há uma tendência de queda nas prescrições. "Vamos reforçar no grupo". Em maio, outra mensagem da mesma pessoa diz: "Peço imediatamente TODOS os tutores de plantão conversem com suas equipes e salientem a importância do tratamento precoce".

Últimas