Brasília CPI ouve advogada de médicos que denunciaram Prevent Senior; veja

CPI ouve advogada de médicos que denunciaram Prevent Senior; veja

Bruna Morato deve falar sobre suposta fraude em prontuários e atestados de óbito e uso de remédios sem eficácia comprovada

  • Brasília | Lucas Nanini, do R7, em Brasília


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid ouve nesta terça-feira (28) a advogada Bruna Morato. Ela representa os médicos e ex-médicos da empresa Prevent Senior que denunciaram irregularidades no tratamento de pacientes com Covid-19 em hospitais da rede. A oitiva está prevista para as 10h no Senado Federal, em Brasília.

Conforme o requerimento do senador Humberto Costa (PT-PE), Bruna deve falar sobre o conteúdo do dossiê denunciando que a empresa ministrou indiscriminadamente remédios sem eficácia comprovada cientificamente contra a doença, como a cloroquina.

A advogada Bruna Morato chega ao Senado Federal para depor à CPI da Covid

A advogada Bruna Morato chega ao Senado Federal para depor à CPI da Covid

Roque de Sá/Agência Senado

Ela também deve responder a perguntas sobre experimentos que a Prevent Senior teria feito com pacientes sem a autorização das famílias e do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Os médicos também acusam a empresa de alterar atestados de óbitos pra ocultar mortes por Covid-19 e de orientar os profissionais da rede a fraudar prontuários, mudando Classificação Internacional de Doenças (CID) nos documentos.

“Ela se dispôs a vir à CPI. Será um depoimento, com certeza absoluta, da doutora Bruna, esclarecedor para todos nós”, disse o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM).

Nesta quarta-feira (29), a comissão deve ouvir o empresário Luciano Hang. Ele é apontado como um dos financiadores da rede que propaga fake news ligada ao governo federal, incluindo incentivo ao uso dos medicamentos que não têm respaldo na comunidade científica para tratamento da Covid.

Prevent Senior
A linha investigativa em torno da empresa se tornou uma versão turbinada do início da comissão, quando a disseminação da tese de “imunização de rebanho” era um dos principais temas.

Diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior

Diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior

Edilson Rodrigues/Agência Senado

No dossiê entregue à comissão, os senadores identificaram a ligação entre a tese e as denúncias de que médicos eram obrigados a trabalhar mesmo infectados com a doença - inclusive sem o uso de máscara de proteção - e da obrigação de receitarem o chamado “kit covid”, que inclui medicamentos sem eficácia contra a doença.

A atuação do chamado gabinete paralelo com as supostas irregularidades na pesquisa do uso da cloroquina feita pela Prevent Senior se acentuou com a participação de nomes já citados na comissão, como o da médica Nise Yamaguchi. A oncologista teria acompanhado o “estudo” feito na operadora e é apontada como o elo entre a Prevent Senior e o governo federal.

Nise chegou, inclusive, a ser cotada como substituta de Luiz Henrique Mandetta para assumir o Ministério da Saúde. Ela foi ouvida pela comissão em 1º de junho e é uma das pessoas formalmente investigadas pela CPI.

No meio tempo, outros pontos que tiveram força no início das investigações, como a falta de oxigênio hospitalar em Manaus (AM) e a demora na aquisição de vacinas pelo governo federal, foram saindo dos holofotes para dar espaço às discussões atuais.

Um exemplo é que, mesmo com a convocação de representantes da White Martins, empresa fornecedora de oxigênio ao estado do Amazonas, aprovada em 26 de maio, uma data para que a oitiva fosse realizada nunca foi definida.

Fachada da empresa Prevent Senior; CPI ouve advogada de médicos que denunciaram fraudes no tratamento de pacientes com Covid-19 na rede de hospitais

Fachada da empresa Prevent Senior; CPI ouve advogada de médicos que denunciaram fraudes no tratamento de pacientes com Covid-19 na rede de hospitais

RENATO S. CERQUEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

CPI da Covid
Em reta final, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 não ouviu mais da metade das pessoas que tiveram requerimentos de convocação aprovados. Dos 126 nomes aprovados ao longo dos quase cinco meses de investigação, 70 não devem ser ouvidos.

Até o começo desta semana, a CPI ouviu 53 depoentes, com mais três oitivas previstas para esta semana. A intenção dos senadores é não utilizar todo o prazo de funcionamento da comissão, que tem até 5 de novembro para encerrar os trabalhos.

Desde junho, dois grandes temas tomaram o centro das atenções da CPI, especialmente sob o olhar do público. Com cerca de dois meses de funcionamento, o foco da comissão passou a ser a investigação sobre a Precisa e os possíveis negócios para beneficiar a empresa dentro do Ministério da Saúde. A CPI voltou suas baterias para os negócios da empresa e a suspeita de que agentes públicos e outros atores poderiam ser beneficiados com acordos.

Mais recentemente, os holofotes da CPI foram direcionados para a Prevent Senior graças às denúncias de ex-funcionários da operadora de saúde entregues à comissão. Agora, a CPI fecha um ciclo, retomando o foco no chamado gabinete paralelo e a distribuição de medicamentos sem eficácia contra a doença com incentivo do governo federal e pessoas próximas ao Executivo.

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