Brasília DF negocia troca da Coronavac por Pfizer para vacinar adolescentes

DF negocia troca da Coronavac por Pfizer para vacinar adolescentes

Capital recebeu 30 mil doses da Coronavac, que não está aprovada pela Anvisa para ser aplicada em pessoas entre 12 e 17 anos

  • Brasília | Alan Rios, do R7, em Brasília

Anúncio de negociação de troca de vacinas foi realizado durante apresentação do novo secretário de Saúde do DF

Anúncio de negociação de troca de vacinas foi realizado durante apresentação do novo secretário de Saúde do DF

Foto: Renato Alves / Agência Brasília

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou que negocia uma troca de imunizantes com o Ministério da Saúde. A pasta do governo federal enviou, recentemente, um lote com doses da vacina contra a Covid-19 do Instituto Butantan, a Coronavac, mas o produto não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser aplicado em adolescentes entre 12 e 17 anos, idade contemplada atualmente no plano de vacinação da capital.

“Já liguei para o ministro [Marcelo] Queiroga. Eles mandaram 30 mil doses de vacinas da Coronavac, e Coronavac não pode ser aplicada no grupo que nós temos agora. Então, estou negociando com ele a devolução da Coronavac que nós temos pela troca da Pfizer, para que a gente possa avançar nesse público”, detalhou nesta sexta-feira (27).

No último dia 18, a Anvisa informou que havia rejeitado o pedido do Butantan para o uso da Coronavac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos, avaliando que “não é possível concluir sobre a eficácia e a segurança da dose nessa faixa etária”, e que “os dados de imunogenicidade deixam incertezas sobre a duração da proteção conferida pelo imunizante”.

A troca das vacinas com o governo federal está em processo de negociação, segundo Ibaneis. O governador deu as informações durante o anúncio do novo secretário de Saúde do DF, o general Manoel Luiz Narvaz Pafiadache. Na avaliação do chefe do executivo local, a troca de comando representa uma virada de chave na saúde da capital, e o nome do militar foi escolhido, principalmente, por conta da “larga experiência” de Pafiadache na área.

Ibaneis também ressaltou a proximidade do general com o governo federal. “Nunca tivemos problemas em relação ao Ministério da Saúde, mas não posso negar que o general tem um relacionamento muito bom lá, e isso contou também nessa indicação. Eu, particularmente, tenho um relacionamento muito bom com o ministro Queiroga, ele já esteve comigo em algumas oportunidades, mas esse relacionamento do general vai nos ajudar muito em relação ao Ministério da Saúde por tudo o que ele representa na saúde do Distrito Federal”.

Pandemia

O governador do DF comentou ainda uma preocupação com a pandemia na capital, levantando que, atualmente, o sequenciamento genético de amostras de exames positivos para o novo coronavírus mostra que metade dos infectados são contaminados por variantes como a mutação Delta, mais transmissível do que outras formas do vírus.

“Temos hoje 50% de [casos de] variante comum e 50% da variante Delta. Então, nós temos que tomar muito cuidado ainda com o que pode acontecer no que diz respeito à Covid”, declarou. Anunciando planos para diminuir a lista de espera por cirurgia nos hospitais públicos, que tem hoje 40 mil pessoas, Ibaneis ressaltou o impacto da pandemia em todos os setores da saúde.

“O que nós estamos vivendo hoje talvez seja uma das piores situações que nós temos em todo o tempo. Nós ficamos um ano e meio com hospitais ‘fechados’, porque se eu tiver um paciente de Covid dentro de uma ala, eu tenho que fechar a ala toda, porque não posso misturar com outro tipo de paciente. Então, tudo isso foi acumulando os problemas que estão aí hoje, são vistos por vocês e nós temos que reconhecer”.

O novo secretário de Saúde prometeu um trabalho nos próximos dias para fazer avaliações, “atacando os pontos importantes”. Para ele, esses pontos passam por insumos e recursos humanos chegando rapidamente à população. Na coletiva de apresentação do general Pafiadache, cinco eixos foram levantados como essenciais neste momento para atendimento à população e boa gestão: contratação, insumos, infraestrutura, pagamento de débitos e credibilidade.

“É uma missão que eu recebi do governador. Ninguém está dizendo que vai ser fácil, mas não trabalho sozinho, trabalho em grupo. O foco é chegar na população o mais rápido possível”, resumiu o novo secretário. 

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