CPI da Covid

Brasília Diretor da Precisa recusa responder até sobre própria empresa

Diretor da Precisa recusa responder até sobre própria empresa

Danilo Trento tem um habeas-corpus que o permite não responder perguntas que possam incriminá-lo

  • Brasília | Isabella Macedo, do R7, em Brasília

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia realiza oitiva do empresário Danilo Berndt Trento para esclarecer, entre outros fatos, qual o grau de envolvimento dele com o dono da Precisa Medicamentos

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia realiza oitiva do empresário Danilo Berndt Trento para esclarecer, entre outros fatos, qual o grau de envolvimento dele com o dono da Precisa Medicamentos

Edilson Rodrigues/Agência Senado - 23.09.2021

Ao prestar depoimento nesta quinta-feira (23), o diretor institucional da Precisa Medicamentos, Danilo Trento, se recusou a responder diversas perguntas, inclusive sobre a empresa da qual é sócio, a Primarcial Holdings. O empresário tem um habeas-corpus que o permite permanecer em silêncio em perguntas que possam incriminá-lo, concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso.

Trento se recusou a responder ao relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre o ramo de atuação das empresas e por qual razão ele assumiu a sociedade da Primarcial no lugar de seu irmão em fevereiro de 2020. Ao ser questionado se as outras pessoas tinham autorização de atuar pelas empresas das quais é dono junto a órgãos públicos, se elas receberam dinheiro de terceiros, se dividem endereço com uma empresa de Francisco Maximiano (dono da Precisa), e se as empresas eram de prateleira, o depoente adotou a mesma resposta: “Senhor senador, irei exercer o direito de permanecer em silêncio”.

O depoente também não respondeu ao presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), que perguntou em quais os tipos de participação a Primarcial atua, afirmando que precisaria olhar no contrato social da empresa quais eram suas outras atividades. “Participação de quê? Sou eu que tenho que olhar? O senhor é dono da empresa e não sabe me informar que participação essa empresa tem? Participação de quê?”. Confrontado pelas perguntas, Danilo Trento apoiou-se mais uma vez em seu habeas-corpus.

A suspeita dos senadores é de que Trento seja um sócio oculto da Precisa Medicamentos, empresa que intermediaria a compra de doses da vacina Covaxin entre o laboratório indiano Bharat Biotech e o governo federal. Documentos em posse da CPI apontam a existência de envolvimento de Trento com Maximiano. Entre os indícios que reforçam a suspeita dos senadores estão o fato de a Primarcial Holding e Participações Ltda, da qual Danilo é sócio, ter sede no mesmo endereço da empresa Primares Holding e Participações, da qual Maximiano é sócio, além de uma viagem à Índia em que Trento e Maximiano foram juntos para negociar a Covaxin e a compra de testes para covid-19.

“Vou permanecer em silêncio”

Além das perguntas relacionadas à Precisa, à Primarcial e a à Primares, o depoente também fez uso da prerrogativa garantida em seu habeas-corpus para não esclarecer qual a relação de Raphael Barão Otero de Abreu nas negociações. A comissão identificou repasses de grandes valores a empresas ligadas a Maximiano e a Trento para a Barão Tur, de propriedade Raphael.

Ele também não respondeu sobre sua relação com Marconny Albernaz de Faria, suposto lobista da Precisa Medicamentos. Ele admitiu conhecer o advogado mas, confrontado com as mensagens extraídas do celular de Albernaz, recusou-se a dar mais detalhes. Ele também apoiou-se na decisão de Barroso para não responder se Ricardo Santana prestou serviços à Precisa e quais análises de viabilidade técnica e política da venda de produtos Marconny Albernaz teria feito para a empresa de distribuição de medicamentos.

A frequente frase fez o senador Omar Aziz ironizar a situação, pedindo à secretaria um gravador. “Eu pediria à Mesa: tem um gravador? Para que ele não se canse, a gente grava uma vez e aí ele só coloca a gravação quando for responder”, ironizou.

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