Brasília Em motociata, Bolsonaro defende privatização da Petrobras

Em motociata, Bolsonaro defende privatização da Petrobras

Discurso foi transmitido pelo perfil do presidente nas redes sociais. Bolsonaro falou também da CPI da Covid e da PEC dos Precatórios

  • Brasília | Jéssica Moura, do R7, em Brasília

Presidente foi a
 Ponta Grossa neste sábado (6) e falou a policiais rodoviários

Presidente foi a Ponta Grossa neste sábado (6) e falou a policiais rodoviários

Marcelo Camargo/Agência Brasil - 04.11.2021

Em um discurso na manhã deste sábado (6), dirigido a policiais rodoviários no Paraná, o presidente Jair Bolsonaro reiterou a intenção de privatizar a Petrobras. Ele também criticou a atuação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado. A comissão sugeriu no mês passado o indiciamento do presidente em nove crimes na condução da crise sanitária. O discurso foi feito logo após uma motociata em Ponta Grossa (PR). 

Bolsonaro falou também das eleições de 2022 e da votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 23/2021, que posterga o pagamento dos precatórios do governo a cidadãos e empresas. Sem máscara e sob gritos de "mito", o presidente discursou ao lado do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR). O evento foi transmitido pelo perfil do presidente nas redes sociais.

Economia

"Sabemos da inflação, aumento de combustível, sabemos que a Petrobras é independente, infelizmente. Vamos buscar, de alguma maneira, de nossa parte, ficar livres da Petrobras, e quem sabe partir para a privatização", afirmou o presidente.

O chefe do Executivo lembrou ainda da votação no Congresso Nacional da PEC dos Precatórios, cujo texto foi aprovado em primeiro turno na Câmara dos Deputados nesta semana. A matéria será analisada novamente, em segundo turno, no plenário da Câmara antes de seguir para o Senado. O projeto amplia o Orçamento do governo federal para 2022 em R$ 89,1 bilhões. A manobra articulada pelo Executivo dribla o teto de gastos e assegura uma fonte de recursos para o pagamento do Auxílio Brasil, o novo benefício social que vai substituir o Bolsa Família.

"Agora está na hora de agir. Estamos votando a tal da PEC dos Precatórios para fazer com que o nosso Orçamento funcione no ano que vem, para dobrar o Bolsa Família, porque estamos vivendo uma inflação de alimentos. Inflação de combustíveis. Estamos pagando a conta, do que eu não apoiei, do 'fique em casa, a economia a gente vê depois'. Estamos fazendo o possível", alegou Bolsonaro. 

Política

CPI da Covid

No discurso, Bolsonaro aproveitou para criticar a CPI da Covid. O relatório final da comissão foi aprovado pelo colegiado no fim de outubro, após seis meses de trabalhos, e sugere o indiciamento do presidente por nove crimes, como charlatanismo, epidemia com resultado de morte e crime contra a humanidade, o que possibilita o envio do documento ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda.

A CPI apontou que Bolsonaro sabia das tratativas ilegais para a compra de doses da vacina Covaxin, fabricada pela farmacêutica indiana Bharat Biotech, por intermédio da Precisa Medicamentos, mas não tomou providências ao ser alertado pelo deputado federal Luis Miranda  (DEM-DF) e pelo irmão dele, o ex-servidor do Ministério da Saúde Ricardo Miranda, e, portanto, teria prevaricado.

"A única revelação bombástica do Omar Aziz, que era presidente da CPI: 'Temos um presidente que é motoqueiro'. Aquela cara de capivara me chamando de motoqueiro. Me acusou como se eu fosse ficar indignado. Pode falar motoqueiro, ou motociclista, eu sei o que é liberdade em duas rodas", ironizou o presidente. "Na hora de pedir uma pizza, ele liga para o motoqueiro", acrescentou.

Eleições

Por fim, Bolsonaro ainda reforçou que o Poder Judiciário precisa passar por uma renovação e que caberá ao próximo presidente, eleito em 2022, indicar dois ministros para o STF (Supremo Tribunal Federal). "Vamos oxigenando. Nós não podemos ficar eternamente no poder, isso não é bom. O meu limite são oito anos."

Últimas