Brasília Enfermeira nega orientação para usar doses de adulto em crianças

Enfermeira nega orientação para usar doses de adulto em crianças

Em depoimento ao MPF, coordenadora de imunização negou ter instruído vacinar crianças contra a Covid-19 

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

MPF apura erro na vacinação de crianças, em Lucena

MPF apura erro na vacinação de crianças, em Lucena

Reprodução/Freepik

A coordenadora de imunização de Lucena, na Paraíba, negou, ao MPF (Ministério Público Federal), ter orientado os profissionais de saúde do município a vacinar crianças contra a Covid-19 antes mesmo das doses pediátricas chegarem ao Brasil. Em depoimento, ela afirmou que a instrução passada pela Secretaria Estadual de Saúde era que o município organizasse um Dia D para que o público infantil recebesse vacinas de rotina. 

Ao MPF, a depoente disse que, para o Dia D, "publicou aos grupos a orientação de que a vacinação fosse feita no público-alvo, de 16 a idosos" e que "o estado orientou que quando fosse feito o Dia D também fosse chamado público infantil para vacinas de rotina". Durante a realização da vacinação nas crianças, ocasião em que houve aplicação das doses contra a Covid destinadas a adultos, a coordenadora alegou estar afastada por motivos de saúde. 

A responsável por aplicar as vacinas foi a técnica de enfermagem subordinada à coordenadora. A técnica afirmou, ao MPF, que foi a chefe quem a orientou a vacinar todos os públicos e que a mensagem foi confirmada via WhastApp e por ligação telefônica. Na ocasião, ela ainda reclamou que estava atuando sem assistência de uma enfermeira, médica ou dentista e que não recebeu nenhum treinamento para realizar a imunização contra a Covid.

A coordenadora admitiu ter conversado com a técnica, mas disse que "não deu nenhuma orientação para que alguma técnica ou enfermeira aplicasse vacina para crianças" e que "não partiu de nenhum superior a ordem para vacians crianças contra a Covid antes da hora". Sobre os treinamentos, a enfermeira rebateu a técnica. 

"Todos os treinamentos do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde foram repassados e que a técnica disse que não precisava ir para a rede de frios, já informando que estava assistindo aos cursos disponibilizados pela Pfizer e que todas as equipes tiveram acesso a treinamentos online, inclusive com calendário de cursos a ser seguido", afirmou a depoente. 

Por outro lado, a inclusão dos dados ficava sob a responsabilidade da coordenadora, já que a técnica e outra enfermeira não tinham senhas para a inserção no sistema. "Na UBS, não tinha boa internet e pelos problemas que houve com o sistema do Ministério da Saúde, [a depoente] não cadastrou senhas para a enfermeira e a técnica, enviando os dados a SES-PB", diz o relato. 

Doses vencidas

O MPF, junto à Secretaria de Saúde da Paraíba, constataram que das 49 crianças que foram indevidamente imunizadas contra a Covid-19, 36 receberam doses fora do prazo de validade. Outras 200 pessoas também foram imunizadas em Lucena com doses vencidas. Ao MPF, a coordenadora de imunizações disse que "a vacina recebida em 5 de dezembro não foi recolhida porque não sabia nem que a vacina estava em estoque". 

Apesar da referida remessa ter a data de validade do frasco ainda dentro do prazo, o conteúdo é considerado como vencido após 30 dias depois que é descongelado e fica armazenado na temperatura entre 2 a 8°C. Segundo apuração do ministério público,1,4 mil doses não utilizadas serão descartadas por estarem fora da validade. 

O MPF apura as responsabilidades pelos erros na vacinação em Lucena. A técnica de enfermagem, uma enfermeira e a coordenadora de imunização foram afastadas. 

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