Brasília Forças de segurança do DF sabiam dos atos extremistas, diz ex-subsecretária em depoimento à CPI

Forças de segurança do DF sabiam dos atos extremistas, diz ex-subsecretária em depoimento à CPI

Marília Ferreira Alencar disse nesta quinta-feira à comissão que o trabalho de inteligência feito em 8 de janeiro foi bem executado

  • Brasília | Luiz Calcagno, do R7, em Brasília

Vândalos invadiram e depredaram Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal

Vândalos invadiram e depredaram Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal

Joedson Alves/Agência Brasil - 8.1.2023

A ex-subsecretária de Inteligência da pasta de Segurança Pública do Distrito Federal Marília Ferreira Alencar disse nesta quinta-feira (9) que as forças de segurança da capital foram informadas sobre a vinda de cerca de 5.000 manifestantes para Brasília às vésperas das manifestações de 8 de janeiro. 

A afirmação foi dada em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do DF que investiga os atos de vandalismo que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes.

As informações sobre a chegada dos manifestantes vinham da inteligência da Secretaria de Segurança, da inteligência da Polícia Militar e também de órgãos federais, como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Marília, que é delegada da Polícia Federal e ligada a Torres, afirmou que o trabalho de inteligência feito às vésperas e no próprio dia 8 de janeiro foi bem executado. Ela também defendeu a inteligência da Polícia Militar.

Segundo ela, as autoridades recebiam informações sobre os ânimos no acampamento inclusive no dia da invasão. Por outro lado, disse não poder opinar sobre a atuação e o efetivo usado pela PM no dia dos atos de vandalismo.

A subsecretaria coordenada por Marília Ferreira analisava as informações recebidas e as repassava em um grupo de WhatsApp que envolvia autoridades do Executivo local, incluindo representantes da Polícia Militar, o então secretário de Segurança, Anderson Torres, e o então secretário executivo da pasta, Fernando de Sousa Oliveira.

Trabalho de inteligência

Ela afirmou também que, quando entrou na secretaria, em 4 de janeiro, havia um movimento de desocupação no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército. Em seguida, segundo ela, começaram a chegar informações das redes sociais e de grupos de aplicativos de mensagem sobre a convocação de manifestantes, depois confirmadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que comunicou a vinda de 43 ônibus para a capital.

De acordo com a ex-subsecretária, as informações repassadas sobre a vinda de manifestantes e o planejamento de um ato na Esplanada também foram tratadas na reunião com o secretário-executivo de Segurança em que ficou definido o Protocolo de Ações Integradas (PAI). Questionada sobre o não cumprimento do protocolo, porém, a depoente disse não saber o motivo.

Divergências na CPI

Relator da CPI, o deputado Hermeto (MDB) afirmou que não é possível atribuir somente à Polícia Militar as falhas de segurança de 8 de janeiro e que houve erro também da inteligência. Já o presidente da comissão, Chico Vigilante (PT), destacou que a inteligência informou as autoridades e que, por isso, teria funcionado.

Em depoimento à Polícia Federal, a ex-subsecretária já havia dito que forças de segurança locais e federais foram avisadas com antecedência do aumento no número de manifestantes acampados em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília.

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