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Brasília Inflação no DF cresce em setembro na comparação com 2020

Inflação no DF cresce em setembro na comparação com 2020

Divulgação do IPCA, INPC e do Índice Ceasa mostra perda do poder de compra na capital para os próximos meses

  • Brasília | Luiz Calcagno, do R7, em Brasília

A inflação de setembro corroeu o poder de compra dos brasilienses

A inflação de setembro corroeu o poder de compra dos brasilienses

Acácio Pinheiro/Agência Brasília

A inflação no Distrito Federal ficou em 0,79% em setembro, aumento de 0,42 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2020. O valor, entretanto, seja menor do que o registrado no mês anterior, de 1,40%. A cifra ficou abaixo do índice nacional, que ficou em 1,16%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). Também no acumulado dos últimos 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no DF foi de 9,06%, contra 10,25% da média nacional.

A análise da alta de preços feita por economistas da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) e das Centrais de Abastecimento da capital (Ceasa) revelam um cenário preocupante na capital. Na capital, os setores de habitação, transporte e de alimentação e bebidas registram as maiores variações de preços. 

O setor de habitação teve variação de 0,25 pontos percentuais e alta de 1,85%, e foi o que exerceu maior pressão no bolso do brasileiro, por conta do aumento da energia elétrica e do gás de cozinha. Já o de transportes teve variação de 0,20 pontos percentuais e alta de 0,82%, influenciado, principalmente, pelo preço das passagens aéreas. E, por último, o de alimentação teve variação de 0,19 pontos percentuais e alta de 1,14%, influênciado, em partes, pelos ítens da cesta básica. 

João Bosco Soares Filho, da Seção de Controle de Portaria e Estatística da Ceasa, alertou para o risco de uma futura deflação provocada não por um cenário econômico positivo, mas pelo agravamento da perda de poder de compra da população, que teria capacidade de frear o consumo e desaquecer a economia. “Ter deflação por problema de incapacidade de consumo não é nada bom. Fica evidente isso com o trabalho da faixa de renda. Você estrangula uma faixa de renda até que ela não consuma e isso reflete no preço, o que ninguém deseja”, disse.

Um levantamento da Codeplan que divide a população do DF em quatro grupos (os de menor renda, os de renda média baixa, média alta e os mais ricos) mostrou um IPCA equivalente a 1,12% em setembro para os 25% mais pobres. O grupo subsequente teve um IPCA de 0,95% e, na sequência, de 0,69%. Já os mais abastados tiveram alta de 0,79%, menor que a média da região. Isso porque a inflação corrói muito mais o poder de compra dos mais pobres, que são maioria.

A inflação brasileira é medida oficialmente pelo IPCA, mas existem outros indcadores. Um deles é o índice Nacional de Preços do Consumidor (INPC), que leva em conta as famílias que recebem até cinco salários mínimos e, dessa forma, revela o peso da inflação sobre os mais pobres, que sofrem mais com a perda do poder de compras. Na capital, o INPC ficou em 0,9%, e a média nacional foi de 1,20%.

Fausto Carneiro/R7

Crise hídrica e energética

Um dos fatores que  incidiu sobre a conta de luz, aumentando a pressão inflacionária do setor no IPCA, foi a crise hídrica. Por causa da escassez de chuva, uma nova bandeira tarifária cobra, R$ 14,20 a mais a cada 100 kWh consumidos (as frações também contam). Para se ter uma ideia, por mês, no DF, uma residência consome, em média, 220 kWh, embora o valor varie de região para região. O aumento reflete no gasto das famílias, mas também no preço da indústria e dos serviços. Um salão de beleza, por exemplo, tem a eletricidade como um dos principais insumos para atender os clientes, e o aumento do custo de produção influencia no preço final.

O setor de habitação, que teve a inflação alavancada pela conta de luz, sofreu uma variação mensal de 1,85% no DF. O valor da energia, por sua vez, pressionou o setor em 6,06%. Esse aumento aconteceu de forma rápida, como mostrou o pesquisador Renato Coitinho da Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan. De acordo com o especialista, mais uma vez, quem mais sofre com a carestia é a população de baixa renda.

“Até abril deste ano, a inflação acumulada em 12 meses estava em zero (na conta de luz). Em abril de 2021, você pagava o mesmo valor que em abril de 2020. Nos últimos meses, vimos consecutivos aumentos em função de reajustes da bandeira tarifária e conta de energia elétrica, além da escassez hídrica. Com isso, a inflação acumulada nos últimos seis meses (sobre o preço da energia elétrica) atingiu o patamar de 27,7%. Beiramos 30% de inflação acumulada. Energia elétrica é insumo para a produção, tanto na indústria como serviços, o que afeta outros preços na economia e, de forma mais incisiva, as famílias de menor renda”, afirmou Coitinho.

Índice Ceasa

O Índice Ceasa do DF (ICDF), mostra a pressão inflacionária sobre frutas, legumes, verduras, ovos e grãos no atacado. Em setembro, a tendência foi de alta de 8,19%. A expectativa, porém, é que entre outubro, novembro e dezembro, essa alta se reflita no varejo, atingindo diretamente o bolso e a mesa das famílias da capital federal.

De acordo com João Bosco, o valor do ICDF foi puxado, principalmente pelas frutas, que tiveram aumento de 10,6%, seguido de legumes, com alta de 3,79% nos preços. Ovos e grãos ficaram praticamente estáveis com reajuste de 0,69% e as verduras seguraram a disparada com uma retração de 1,85%.

A avaliação trimestral mostra um cenário ainda mais preocupante. Em comparação com 2019 e 2020, os meses de julho, agosto e setembro de 2021 mostraram o maior aumento nos preços. O ICDF do terceiro semestre de dois anos atrás teve retração de 8,32%. No ano seguinte, porém, houve inflação de 0,89%. Já este ano, a carestia foi de 19,34%.

A principal pressão sobre o preço das frutas, segundo João Bosco, foi exercido pela facilidade dos produtores em exportar o produto, devido a desvalorização do Real diante do dólar. “O mercado externo é um grande concorrente com a demanda interna”, destacou. "E a tendência, com a mudança de estação, é que os preços continuem subindo”, lembrou.

“As temperaturas começam a ficar mais altas e logo logo começam as chuvas. Isso afeta todo o regime de produção e consumo de hortaliças e frutas. Isso tudo em um contexto de custos de produção elevada. Chuva e calor vão influenciar na produção de batata, tomate e cebola e a tendência é de aumento nos preços. Ovos também tem tendência de alta, por conta do custo de produção e por serem uma proteína substituta das advindas de boi, frango e, peixe”, destacou Bosco.

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