Brasília Memorial dos Povos Indígenas reabre com acervo inédito de peças raras

Memorial dos Povos Indígenas reabre com acervo inédito de peças raras

Conjunto passou 18 anos armazenado em galpão da Polícia Federal após operação que investigou contrabando internacional 

  • Brasília | Jéssica Moura, do R7, em Brasília

Memorial dos Povos Indígenas, que ficou fechado para reforma de piso e fachada

Memorial dos Povos Indígenas, que ficou fechado para reforma de piso e fachada

GDF/Divulgação

Depois de 21 dias da transferência do acervo de 8 mil peças indígenas raras do galpão da Polícia Federal para a Secretaria de Cultura do Distrito Federal, o Memorial dos Povos Indígenas, no Eixo Monumental, será reaberto nesta quarta-feira (24) com a exposição de parte desses itens.

Com essa doação, o espaço torna-se a segunda maior instituição na salvaguarda da memória dos primeiros habitantes do país, atrás apenas do próprio Museu do Índio, no Rio de Janeiro. Os artigos integram a exposição Mais de 12 Mil Anos Nesta Terra, que reúne 300 artefatos de 15 etnias.

Mostra

O museu ainda oferece uma "seção tátil", em que os visitantes podem manusear peças como chocalhos e paus de chuva. O objetivo é favorecer a acessibilidade do acervo para as pessoas com deficiência.

Todo esse material, que inclui adereços e objetos dos povos originários, foi apreendido pela Polícia Federal em 2003, após uma megaoperação de combate ao contrabando internacional da mercadoria. Em diversas fases, a investigação impediu que as peças indígenas fossem embarcadas para os Estados Unidos e países europeus.

O grupo tinha o intuito de vender os artefatos a colecionadores e organizações criminosas a altos preços. O objetivo era contrabandear partes de animais silvestres raros, como plumas, penas, ossos, dentes e garras, sob a fachada de artesanato indígena. Desde então, todo esse material estava encaixotado em um galpão da PF, até ser doado.

Atrações

O museu ainda exibe fotografias de um dos pioneiros da pesquisa etnográfica na Amazônia, o filólogo, etnólogo e antropólogo alemão Theodor Koch-Grunberg (1872-1924). Ele contribuiu para o estudo de povos indígenas da América do Sul entre o fim do século 19 e o início do 20.

Reforma

Durante o período em que ficou fechado, o museu passou por uma grande reforma. As obras foram orçadas em R$ 500 mil, com fachada e piso recuperados, assim como o sistema de combate a incêndio. O espaço fica aberto ao público de sexta a domingo, das 9h às 17h.

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