Brasília Ministro diz que Bolsonaro já assinou carta-convite da OCDE

Ministro diz que Bolsonaro já assinou carta-convite da OCDE

Organização convidou nesta terça (25) o Brasil e outros cinco países a se associarem à entidade, apelidada de 'clube dos ricos'

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Carlos França (Itamaraty)

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Carlos França (Itamaraty)

Evaristo Sá/AFP - 30.07.2021

Nesta terça-feira (25), após a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) convidar o Brasil e outros cinco países a se associarem à entidade, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro já assinou a carta-convite feita pela organização.

"O presidente Bolsonaro recebeu a carta com grande satisfação e já assinou a carta de resposta, que foi minutada pelo Itamaraty, e, neste momento, esperamos que, quando chegar a carta à OCDE, a organização prepare um roteiro de adesão, que vai ser aprovado pelo seu conselho, e depois haverá reuniões em cerca de 40 comitês da organização", informou França.

As declarações foram dadas em coletiva de imprensa realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, que contou com a presença dos ministros Carlos França (Relações Exteriores), Ciro Nogueira (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia).

O ministro das Relações Exteriores contou que determinou a criação de uma unidade dedicada exclusivamente às relações com a OCDE, com formação de novos quadros e diplomacia econômica. França instaurou também a formação de uma equipe de negociadores, que coordenará as negociações com a organização no roteiro de acessão.

O titular não informou a quantidade nem os gastos implicados na nova medida, mas disse que ela foi aprovada pela equipe do Ministério da Economia.

Nogueira, que avalia o dia como "histórico", relatou que o país não esperou o avanço do convite da OCDE, "tendo aderido a 103 dos 251 instrumentos normativos da organização, sendo 37 apenas na gestão Bolsonaro".

"Mostrando a determinação deste governo em ter alinhamento total com os grandes países, com os grandes players internacionais, ao contrário do que existia no passado, quando nós preferíamos ter alinhamento com países periféricos, sem a menor importância, para o nosso país e para o mundo", disse.

Guedes também comemorou o convite. "É um novo desenho da política comercial externa brasileira. Antigamente, era bastante politizado, e nós estamos justamente seguindo o exemplo de nações mais avançadas, colocando um componente de negociações comerciais dentro do Itamaraty", afirmou.

"As economias mais avançadas... Eu vejo isso pelos representantes no país, como diplomatas, estão sempre conversando de negócio, tem muito pouca conversa sobre ideologia e muita conversa sobre negócio. E o Brasil normalmente vai lá fora para conversar sobre ideologia, em vez de conversar sobre negócio", acrescentou.

Para o ministro, a carta-convite da OCDE representa o reconhecimento de que o Brasil "é um grande país, uma grande nação". Segundo ele, "já estávamos como potência emergente, no Brics, e já estávamos no G20, das grandes economias, mas faltava essa dimensão, que estávamos perseguindo havia muito tempo".

A OCDE foi fundada em 1961 e reúne países com os maiores índices de desenvolvimento econômico e humano. Apelidada de "clube dos ricos", ela atua na cooperação e discussão de políticas para guiar os países associados.

Mais cedo, a organização anunciou a abertura de negociações com Brasil, Argentina, Bulgária, Croácia, Peru e Romênia para se associarem à entidade. A partir de agora, serão estabelecidos roteiros individuais para cada um dos seis países, que alinharão termos, condições e processos de adesão.

"Não há prazo para a conclusão dos processos de adesão. O resultado e o cronograma dependem da capacidade de adaptação e ajuste de cada país candidato para se alinhar aos padrões e às melhores práticas da organização", disse a OCDE em nota.

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