Brasília MPF é acionado para investigar Bolsonaro por hostilizar jornalistas

MPF é acionado para investigar Bolsonaro por hostilizar jornalistas

Objetivo da representação é que entidade apure casos de agressão contra a imprensa durante a cobertura do G20

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

Jornalistas que cobrem reunião do G20, em Roma, foram agredidos por seguranças

Jornalistas que cobrem reunião do G20, em Roma, foram agredidos por seguranças

Alan Santos/PR - 30.10.2021

O Ministério Público Federal (MPF) foi acionado para investigar se o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) e seus seguranças cometeram crime ao tratar de forma hostil jornalistas que faziam a cobertura do G20, em Roma, na Itália. A representação, protocolada nesta segunda-feira (1º), cita uma série de acontecimentos que narram agressões sofridas por repórteres cadastrados para acompanhar a agenda do mandatário no exterior e pede a responsabilização criminal dos envolvidos.

Além disso, o documento sugere o ajuizamento de ações penal e civil pública por dano moral coletivo e ameaça à liberdade de imprensa, com aplicação de multa. A representação é uma iniciativa do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). 

O texto cita ao menos quatro episódios em que os jornalistas narram terem sido agredidos ou tratados de forma truculenta. Em um deles, um repórter chega a receber um soco no estômago após questionar o presidente sobre o não comparecimento do mandatário a eventos do G20. Outro membro da imprensa brasileira teve o celular arrancado das mãos por tentar gravar o momento. 

"Temos justamente o oposto do que se poderia esperar da autoridade máxima da República: em vez de proteger e estimular o trabalho jornalístico, prefere dele escarnecer ou agredir os seus profissionais, visando cercear a sua atuação", argumenta o senador, na representação. 

Randolfe cita o direito à liberdade de expressão, previsto constitucionalmente, além de uma série de documentos internacionais, assinados pelo Brasil, que preveem a proteção à imprensa livre. Na avaliação do senador oposicionista, a conduta do presidente e da equipe de segurança busca "intimidar o legítimo e necessário controle social e os calar, ou seja, verdadeiramente constranger ilegalmente o repórter a exercer sua profissão".

A responsabilização, segundo o parlamentar, torna-se ainda mais necessária pelo potencial de influência do presidente da República. "Qualquer cidadão que apoie pretensões autoritárias pode se sentir convidado a externalizar, inclusive de modo violento, o seu ímpeto antidemocrático, como já relatado anteriormente", justifica. 

Manifestações 

Sobre os acontecimentos, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou uma nota de repúdio.  "A violência contra os jornalistas, na tentativa de impedir seu trabalho, é consequência direta da postura do próprio presidente, que estimula com atos e palavras a intolerância diante da atividade jornalística. É lamentável e inadmissível que o presidente e seus agentes de segurança se voltem contra o trabalho dos jornalistas, cuja missão é informar aos cidadãos", diz a nota.

A ANJ também afirma esperar que atos de violência relatados sejam apurados e que os culpados sejam punidos. "A impunidade nesse e em outros episódios é sinal de escalada autoritária".

Uma manifestação semelhante foi feita pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). "Atacar o mensageiro é uma prática recorrente do governo Bolsonaro que, assim como qualquer outra administração, está sujeito ao escrutínio público. É dever da imprensa informar à sociedade atos do poder público, incluindo viagens do presidente no exercício do mandato. E a sociedade, por meio do art 5º da Constituição, inciso XIV, tem o direito do acesso à informação garantido." 

O R7 não conseguiu contato com a Presidência da República.

Últimas