CPI da Covid

Na CPI, Fakhoury nega ter produzido fake news

O empresário também disse não ter relações próximas com Bolsonaro, mas admitiu ter financiado manifestações pró-governo

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

Empresário Otávio Fakhoury foi ouvido pela CPI nesta quinta-feira

Empresário Otávio Fakhoury foi ouvido pela CPI nesta quinta-feira

Leopoldo Silva/Agência Senado

Apontado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid como difusor e financiador fake news no âmbito da pandemia, o empresário bolsonarista Otávio Fakhoury negou, em depoimento nesta quinta-feira (30), produzir informações falsas, justificando que a defesa ao tratamento precoce, incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença e críticas às vacinas e ao uso de máscara não configuram a prática e são apenas “questões de opinião”.

“Fui acusado injustamente e caluniado como propagador de fake news, sem jamais ter produzido uma única notícia falsa. Aliás, eu não produzo notícia, eu não sou jornalista; eu sou um cidadão com opinião”, disse. Os senadores membros da cúpula da CPI, no entanto, sustentaram que a prática é criminosa.

Com posicionamentos alinhados ao do presidente Jair Bolsonaro, o empresário foi questionado sobre a relação entre os dois. "Eu não tenho relação pessoal com o Presidente da República. Eu sou um apoiador", respondeu. Fakhoury admitiu, no entanto, ter dado dinheiro a grupos de apoiadores de Bolsonaro para impressão de materiais com as propostas do então candidato à presidência. 

Fakhoury afirmou, ainda, ter contribuído financeiramente em manifestações favoráveis ao presidente da República. "Em 2014, 2015, eu ingressei como membro do movimento Vem pra Rua e ajudei nas vaquinhas de caminhão 'Fora Dilma'", disse. "Participei voluntariamente da campanha (de Bolsonaro). Em 2019, nós ajudamos, sim, grupos que foram na Paulista para apoiar a reforma da previdência e o governo Bolsonaro e outras pautas que, naquele momento, estavam sendo discutidas."

As colaborações, no entanto, teriam sido interrompidas com a chegada da pandemia. O empresário afirmou que ajudaria caminhoneiros que pretendiam se manifestar na Avenida Paulista, em 15 de março de 2020, mas que o ato foi suspenso. "Desde então, eu não fiz mais nenhuma colaboração. Inclusive, nessa última de 7 de setembro, também não tive participação colaborativa em termos de manifestação."

Rede de contatos

Se por um lado Fakhoury negou ter proximidade com o presidente da República, por outro destacou uma relação mais próxima com o filho 03, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). "Contato pessoal, porém, não de amigo", definiu, usando como critério não frequentar a casa do parlamentar. "Eu passei a conhecê-lo quando eu ingressei no PSL como tesoureiro, interinamente, por três ou quatro meses, em 2019", completou. 

O empresário detalhou ter feito um contrato com Eduardo de doação de R$200 mil para realização da conferência Cpac, encontro do Instituto Conservador-Liberal. Segundo Fakhoury, o repasse não teve relação com o financiamento da campanha de 2018. 

No âmbito de divulgação de fake news, o depoente negou ter recebido conteúdos de Eduardo propondo algum tipo de divulgação. Mas disse que os dois chegaram a discutir um projeto para comprar uma rádio e implementar um projeto de direita. "Sempre tive um sonho de entrar e participar do ramo de comunicação, porque comunicação, rádio, televisão, é onde você se comunica e expressa a sua posição, suas ideias." 

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