Brasília No Twitter, partido de Bolsonaro pede passaporte da vacina

No Twitter, partido de Bolsonaro pede passaporte da vacina

Partido compartilhou publicação de senador que fez projeto para instituir um certificado de imunização obrigatório

  • Brasília | Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

O senador Carlos Portinho (PL-RJ)

O senador Carlos Portinho (PL-RJ)

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro ser contra a implementação de um passaporte de vacina contra a Covid-19, o PL, partido ao qual ele se filiou no último dia 30, republicou nesta sexta-feira (3) a postagem de um parlamentar que pede que o documento seja obrigatório. O senador Carlos Portinho (PL-RJ), do mesmo partido do chefe do Executivo, fez um apelo no Twitter para que a Câmara aprove um projeto de lei de autoria dele que busca instituir como obrigatório o comprovante nacional de imunização contra a doença.

Projeto aguarda votação na Câmara

A matéria já foi aprovada por unanimidade no plenário do Senado, em junho, mas desde então segue sem ser deliberada pelos deputados. Com o surgimento de uma nova variante da Covid-19, a Ômicron, e o agravamento da pandemia em países da Europa, o senador pediu que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), converse com a Câmara para que o projeto seja posto em votação.

"A Câmara dos Deputados precisa aprová-lo o quanto antes, haja vista o aumento dos casos, a nova cepa e principalmente a necessidade do controle das nossas fronteiras, para que possamos evitar o ingresso de mais e mais pessoas contaminadas com o vírus no nosso país", alertou o parlamentar.

De acordo com a proposta, o comprovante vai permitir que pessoas vacinadas ou que testaram negativo para Covid-19 ou outras doenças infecto-contagiosas circulem em espaços públicos ou privados onde há restrição de acesso. O objetivo, segundo o senador, é conciliar a adoção de medidas restritivas para conter a pandemia com a preservação dos direitos individuais e sociais.

Posicionamento contrário ao de Bolsonaro

Por mais que saiba do posicionamento de Bolsonaro a respeito do projeto, Portinho frisou que o Congresso não pode deixar de discutir a proposta. “É verdade que o presidente da República havia anunciado o veto se esse projeto avançasse. Não tenho o menor desconforto se essa for a nossa única divergência, mas não vou deixar de insistir que esse projeto, agora, mais do que nunca, é vital, que a cada dia se torna mais urgente, mais responsável”, frisou.

Segundo o senador do PL, “o certificado é o antídoto contra o lockdown”. “Precisamos do certificado de vacinação e testagem. Esse é o instrumento que já é aplicado no mundo inteiro. Em Portugal, há uma sensação inclusive maior de segurança por saber que há nas fronteiras a exigência de apresentação do certificado e da testagem. Já usamos o certificado para a febre amarela há anos e não houve oposição alguma com relação à sua exigência, tanto em nosso país quanto em outros.”

“Batalha com fins políticos”

Durante evento no Palácio do Planalto na quinta-feira (2), Bolsonaro criticou a implementação do passaporte vacinal e disse que cada brasileiro deve ter a liberdade de escolher se quer ou não se imunizar contra a Covid-19.

"Entendo que aquelas autoridades outras que estão exigindo passaporte vacinal calcadas numa lei de fevereiro do ano passado, quando não existia ainda a vacina, estão extrapolando. A liberdade de se vacinar é de cada cidadão brasileiro. Não façamos da vacina uma batalha, cavalo de batalha para objetivar fins políticos lá na frente. O governo não poupou esforços para que todos aqueles que voluntariamente quisessem se vacinar o fizessem”, observou.

“Vamos respeitar esse direito de cada um de nós porque amanhã pode ter uma coisa que você, hoje, vacinado, não concorde. E você não vai querer que se obrigue a fazer essa coisa no dia de amanhã. Não podemos começar cada vez mais a tolher direitos nossos. A nossa liberdade não tem preço", acrescentou o presidente.

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