Brasília Operação da PCDF mira suspeita de corrupção na Secretaria de Turismo

Operação da PCDF mira suspeita de corrupção na Secretaria de Turismo

Polícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão na sede da pasta do DF para apurar superfaturamento em contratos

  • Brasília | Jéssica Moura, do R7, em Brasília

Polícia Civil recolheu documentos nas estações de trabalho de funcionários da Setur-DF

Polícia Civil recolheu documentos nas estações de trabalho de funcionários da Setur-DF

Jéssica Moura/R7

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Eldorado, que apura suspeitas de superfaturamento em contratos da Secretaria de Turismo do Distrito Federal. 

As investigações são conduzidas pela Delegacia de Repressão à Corrupção (Decor). Os agentes cumprem oito mandados de busca e apreensão na sede, que fica no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Desses, sete são em endereços do DF e um no Entorno. Os mandados são cumpridos em residências de agentes públicos e na sede das pessoas jurídicas e de seus sócios, além da Secretaria de Turismo (Setur), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Os indícios de crimes começaram a ser apurados em maio deste ano depois de uma denúncia anônima. O relato apontava que, nas contratações para execução de serviços na secretaria, teria sido indicado nos documentos um perímetro maior do que aquele efetivamente usado. Com isso, a contratação ficava mais cara.

Indícios de crimes
Com as provas colhidas até agora, a PCDF sustenta que um dos contratos se refere à realização de serviços de lavagem e desinfecção em Centros de Atendimento a Turistas (CATs). A diferença apontada pelos agentes foi de 273% entre a área total dos CATs e o tamanho indicado nos contratos para higienização, o que despertou a desconfiança da polícia.

Outra suspeita é em relação às compras feitas pelo órgão. Os valores chamaram a atenção dos policiais por serem muito superiores aos praticados em outros processos de compra. Nesse caso, a diferença foi de 2.000% no contrato de 2020, em comparação com um acordo parecido firmado no ano anterior para controle de pragas urbanas, como dedetização, desinsetização, desratização, descupinização, controle e manejo de pombos.

Em nota, o Ministério Público do Distrito Federal informou que os contratos firmados pela Setur apresentam divergências, pois os processos foram firmados para locais com dimensões maiores que as originais, aumentando o preço dos serviços.

"Por exemplo, o contrato de limpeza da Setur tem ambientes com metragens dobradas em relação às medidas reais. Outro prevê a sanitização das unidades do Centro de Atendimento ao Turista (Cat’s), mas, com a baixa procura por atividades turísticas na cidade ultimamente, esses locais estão praticamente em desuso. Mesmo assim, a Secretaria contratou serviço de higienização para esses ambientes", afirmou a Prodep (Promotoria de Justiça de Defesa ao Patrimônio Público e Social).

O nome da operação é uma referência à cidade de El Dourado. A lenda diz que ela estaria situada na América do Sul e guardaria um enorme tesouro em ouro, o que atraiu invasores europeus. Contudo, a cidade nunca existiu.

Por volta das 9h30, a Polícia Civil deixou a Secretaria de Turismo com um malote de anotações e documentos recolhidos nas estações de trabalho de funcionários. 

A secretária de Turismo do DF, Vanessa Mendonça, disse que foi surpreendida pela operação da PCDF, mas que quer "também estar à frente dessa investigação para atender integralmente às determinações judiciais".

A chefe da pasta está em viagem oficial a Pernambuco, mas afirmou que já providenciou seu imediato retorno à capital federal. "Assim que eu desembarcar em Brasília, estarei inteiramente à disposição para esclarecer o que for necessário", declarou por nota.

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