Brasília Para CPI, 'Queiroga está a um passo de ser indiciado'

Para CPI, 'Queiroga está a um passo de ser indiciado'

Ministro da Saúde já prestou depoimento duas vezes, mas senadores querem ouvi-lo novamente

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Em Nova York, ministro Marcelo Queiroga faz gesto obsceno para pessoas que se manifestavam contra Bolsonaro

Em Nova York, ministro Marcelo Queiroga faz gesto obsceno para pessoas que se manifestavam contra Bolsonaro

Collective BRADO-NY/via Reuters

O vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, Randolfe Rodrigues (Rede), frisou nesta terça-feira (28) a importância de ouvir pela terceira vez na comissão o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. "O ministro Queiroga está a um passo de ser indiciado nessa investigação", afirmou. No fim dos trabalhos, a CPI pode propor o indiciamento de agentes públicos e privados por crimes cometidos.

Os senadores voltaram a falar em uma nova oitiva de Queiroga depois que o ministro anunciou a interrupção da vacinação de adolescentes, apesar da indicação dos laboratórios produtores de vacina e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dias depois do anúncio e de afirmar que os estados deveriam seguir a orientação do Ministério da Saúde, a Pasta recuou e voltou a indicar a vacina contra a Covid-19 para adolescentes.

"Se eu fosse ele, estaria mais interessado em vir à CPI do que nós. Sabe por quê? Porque há chance de ele não ser indiciado. E, para ele não ser indiciado, eu pediria ao ministro Queiroga o cumprimento de duas condições: primeiro, garantir que crianças e adolescentes no Brasil sejam vacinados; segundo, apresentar a programação da vacinação para o ano que vem. Quantas vacinas já foram adquiridas? Quando começará a vacinação? Qual a programação da terceira dose? Estou pedindo o mínimo do ministro. Essas são as medidas preliminares de proteção às pessoas. Sem responder a essas perguntas satisfatoriamente, o ministro será indiciado", afirmou Randolfe.

A convocação de Queiroga já foi aprovada. Entretanto, a viagem do ministro atrapalhou os planos dos senadores. Ele foi a Nova York com o presidente Jair Bolsonaro para a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e lá foi diagnosticado com Covid-19. Por isso, teve que ficar de quarentena nos Estados Unidos, onde está até o momento. Na reta final da comissão, o presidente Omar Aziz (PSD-AM) acreditou que não haveria tempo de ouvir o ministro.

Entretanto, com novos fatos envolvendo a operadora de saúde Prevent Senior, a previsão de entrega do relatório final – que seria no último dia 24 – foi postergada. Por isso deve haver tempo hábil para ouvir Queiroga. Randolfe quer que o ministro seja o último depoente da comissão. 

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