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Brasília PGR abre apuração sobre suposta ameaça de Braga Netto às eleições

PGR abre apuração sobre suposta ameaça de Braga Netto às eleições

Ministro da Defesa teria feito ameaça para a implementação do voto impresso nas urnas eletrônicas

Reuters
Braga Netto, ministro da Defesa, que teve investigação preliminar aberta pela PGR

Braga Netto, ministro da Defesa, que teve investigação preliminar aberta pela PGR

Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O procurador-geral da República, Augusto Aras, informou ao STF (Supremo Tribunal Federal) ter aberto uma apuração preliminar para investigar uma suposta ameaça feita pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, à realização das eleições de 2022, disse a Procuradoria-Geral da República nesta quarta-feira (29).

A determinação de Aras é um desdobramento de pedidos de parlamentares para investigar Braga Netto após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo ter relatado, em julho, que o ministro da Defesa teria enviado um recado por meio de interlocutores ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com a ameaça de não realizar eleições no próximo ano caso a proposta para implementação do voto impresso nas urnas eletrônicas não fosse aprovada.

A Câmara, no início de agosto, rejeitou em plenário a proposta do voto impresso.

Procurado, o Ministério da Defesa não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

No comunicado divulgado nesta quarta (29), a PGR disse que Aras apenas informou o Supremo na véspera sobre a existência do procedimento preliminar de investigação.

Esse tipo de investigação não tem o mesmo status de um inquérito criminal aberto, uma vez que não se aponta nenhum cometimento de crime.

Na época da reportagem, Braga Netto negou ter feito qualquer tipo de ameaça e destacou o comprometimento das Forças Armadas com a democracia, mas considerou "legítima" a discussão do voto impresso.

O presidente Jair Bolsonaro é o principal entusiasta da adoção do voto impresso para as eleições do próximo ano, tendo feito ataques ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, que se posicionou contrariamente à iniciativa.

Bolsonaro continuou fazendo a defesa da mudança do sistema eleitoral mesmo após a rejeição da proposta pela Câmara e a promessa feita a Arthur Lira de que não iria insistir na medida.

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