Brasília PSDB: Doria e Leite trocam farpas e indefinição sobre prévias segue

PSDB: Doria e Leite trocam farpas e indefinição sobre prévias segue

Pré-candidatos discordam sobre quando votação deve ser concluída após problemas em aplicativo usado para o pleito

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Reprodução/Governo do Estado de São Paulo/Felipe Dalla Valle/RS

Segue sem definição como o PSDB irá concluir as prévias para escolha do pré-candidato à Presidência da República pela legenda. Os candidatos João Doria, governador de São Paulo, ao lado do ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio, querem que a votação seja retomada pelo aplicativo no próximo domingo (28) pelo prazo de 12 horas. Já o governador do Rio Grande do Sul, adversário de Doria nas prévias, defende que a votação precisa ocorrer e ser finalizada em mais no máximo 48 horas.

A votação presencial, por meio das urnas eletrônicas, foi finalizada neste domingo às 15 horas. Já a votação remota por meio de um aplicativo, com previsão de 44 mil filiados inscritos para votar dessa maneira, gerou problemas às prévias. O prazo da votação foi estendido até as 18 horas, mas o aplicativo continuou instável, e passou a ser discutida a melhor forma de concluir o pleito.

Para tal, o presidente nacional da sigla, Bruno Araújo, se reuniu por mais de duas horas com os pré-canditados e outros tucanos, como o senador licenciado Tasso Jereissati, para chegar a um acordo. A primeira reunião foi finalizada pouco antes das 18 horas, e foi retomada na noite deste domingo. Se um entendimento único, a sigla segue sem definição.

Em entrevista coletiva, Doria criticou a direção legenda, dizendo que é "preciso ter uma única palavra e uma única atitude". "Não é razoável ter uma atitude, depois outra, depois outra. Só há uma atitude: fazer com que as prévias não concluídas agora sejam concluídas no próximo domingo. Isso não é uma questão política, é técnica", afirmou. Doria ainda ressaltou que queria que o PSDB usasse urnas eletrônicas em todo o país, sem aplicativo. "Mas, por um motivo que nós desconhecemos, o PSDB resolveu adotar um sistema híbrido", disse.

Leite, por sua vez, afirmou que defende que a votação continua por mais 48 horas, ressaltando que se o processo for suspenso e retomado na próxima semana, o pleito não será o mesmo. "Temos essas condições para as pessoas decidirem. Durante essa semana, novas condições podem acontecer que mudem votos, e aí não é mais o mesmo processo. É outra campanha a ser feita ao longo de uma semana", afirmou.

O governador gaúcho afirmou que se isso não ocorrer, e a votação for retomada no próximo domingo, haverá questionamentos que "vão ferir a legitimidade" do processo. "Para que este processo possa ser considerado íntegro não pode ter uma continuidade de uma semana inteira em que novas abordagens e mobilizações vão ocorrer. Será um processo desequilibrado. Temos que concluir em 48 horas, porque é um prazo para arrumar o aplicativo e concluir o processo", frisou.

Em sua fala, Doria alfinetou Leite dizendo que os tucanos querem transparência no processo, e que os que desejarem diferente disso "terão opção de escolher outro partido". "Vão escolher um partido que atenda a sua conveniência. PSDB vai ser melhor se for um partido de oposição ao governo", afirmou.

Arthur Virgílio foi ainda mais enfático ao criticar uma figura que tem apoiado Leite. "Temos uma bancada que tem se comportado como bolsonarista ao longo das votações mais relevantes. E eu considero o PSDB um caminhão carregado de maçãs boas, e tem uma estragando bastante as outras. Dou nome e sobrenome: Aécio Neves", disse.

Após a coletiva de Doria e Virgílio, Leite afirmou que a "união dos dois mostra que eles precisam ser dois para enfrentar" a sua candidatura. "Não vou adjetivar nem a ele nem a ninguém. Discussões tem que ser feitas dentro do partido. Debates internos no PSDB fazer seu próprio processo de lavação de roupa suja", pontuou.

FHC e Serra não votaram

O governador de São Paulo ressaltou que diversas figuras do PSDB não conseguiram votar devido às falhas do aplicativo, dentre elas o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (FHC), a senadora Mara Gabrilli (SP), o senador licenciado José Serra e o próprio Arthur Virgílio. "São pessoas que tem representatividade na história do PSDB. Não é possível nem razoável imaginar que essas pessoas não tenham direito de exercer os seus votos e fazê-lo no próximo domingo", afirmou Doria.

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