CPI da Covid

Brasília Unidade da Prevent usa leitos improvisados, diz advogada

Unidade da Prevent usa leitos improvisados, diz advogada

Advogada de médicos que denunciaram a operadora de saúde recebeu relato e pediu que autoridades averiguem situação

  • Brasília | Isabella Macedo, do R7, em Brasília

Edilson Rodrigues/Agência Senado

Durante seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, nesta terça-feira (28), a advogada Bruna Morato disse que clientes informaram que pacientes em cuidados paliativos são acomodados em leitos improvisados em uma unidade da Prevent Senior em São Paulo. A advogada relatou ter recebido mais de uma denúncia em relação à operadora de saúde sobre condições inadequadas.

Bruna disse ter recebido, por aplicativo de mensagens, a informação de que os médicos relataram que a unidade era um prédio comercial que foi convertido em hospital. O local não teria recebido o devido alvará para funcionamento como unidade de saúde. Os pacientes sob cuidados paliativos, aqueles que têm doenças graves que podem levar à morte e recebem cuidados integrais, estariam sendo encaminhados para o local, onde elevadores não têm capacidade de comportar macas e há leitos improvisados.

“Esse prédio comercial nem sequer tem em seus elevadores a possibilidade de comportar macas. Então, esses pacientes chegam a essa unidade e são colocados no elevador, muitas vezes sentados, e são encaminhados a leitos improvisados", afirmou a advogada.

Bruna Morato presta depoimento para esclarecer as denúncias feitas por um grupo de 12 médicos que se uniram para denunciar irregularidades nas unidades da Prevent Senior no tratamento da Covid-19. A operadora é alvo de relatos encaminhados à CPI por esses médicos, que reuniram as informações em um dossiê que, segundo a advogada, tem mais de 10 mil páginas de documentos.

Denúncias

Durante seu depoimento, que teve início na manhã desta terça, a advogada afirmou que seus clientes foram ameaçados e coagidos, além de ter relatado invasão em seu escritório após  apresentar as denúncias contra a Prevent Senior. Bruna Morato também informou que a empresa adotou a disponibilização do chamado “kit Covid”, composto de medicamentos sem eficácia comprovada pela comunidade científica no combate à doença, como uma estratégia de redução de custos. Segundo ela, a empresa preferia entregar o kit, composto de remédios baratos como cloroquina e ivermectina, a internar pacientes.

"Era uma estratégia para redução de custos, uma vez que é muito mais barato para a operadora de saúde disponibilizar determinados medicamentos do que efetivamente fazer a internação daqueles pacientes que usariam aquele conjunto de medicamentos", afirmou. De acordo com ela, mensagens de texto encaminhadas à CPI "mostram que a Prevent Senior não tinha a quantidade de leitos necessários de UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e, por isso, orientava que fosse feito o tratamento precoce".

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