Jair Bolsonaro

Brasília Vacinação em adolescentes: Bolsonaro promete retomar tema

Vacinação em adolescentes: Bolsonaro promete retomar tema

Segundo presidente, pode haver 'interesses' de 'empurrar a vacina' em adolescentes, mesmo aquelas sem aprovação para faixa etária 

  • Brasília | Alan Rios, do R7, em Brasília

Presidente reclamou de falta de poder de comando centralizado nas ações da pandemia

Presidente reclamou de falta de poder de comando centralizado nas ações da pandemia

Stephen Yang/Reuters - 21.09.2021

O presidente da República Jair Bolsonaro prometeu, em live na noite desta quinta-feira (23), retomar o assunto da vacinação contra a covid-19 em adolescentes. Após o Ministério da Saúde orientar a suspensão da imunização de jovens de 12 a 17 anos e, dias depois, recuar e voltar a liberar essa aplicação, Bolsonaro reclamou da falta de um "comandante" na pandemia e avaliou que pode ser que exista um "interesse" em "empurrar a vacina". 

"Ainda quero conversar com o Queiroga, não vou perturbar agora. Se ele estiver bom amanhã, vou conversar com ele. O negócio é o seguinte: o erro é a falta de um comandante que faça valer sua autoridade. Eu não posso, quem decide são governadores e prefeitos. É a questão de vacinação. É obrigatório? Não é?", questionou.

A fala ocorre em um momento em que o presidente enfrenta críticas por interferir em questões técnicas do Ministério da Saúde. A própria decisão de suspender a vacinação de adolescentes ocorreu após um diálogo dele com Queiroga. Porém Bolsonaro argumentou que é chamado de omisso quando não dialoga com a pasta. 

Ele ainda levantou que decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) tiraram o "comando" do representante da República. Recentemente, o STF decidiu que governadores e prefeitos podiam dar continuidade à imunização de jovens de 12 a 17 anos. 

"Temos que ter comprovação científica disso aí. Hoje, a Pfizer tem, se não me engano, a Coronavac não tem. Tenho informação extraoficial de que pouco mais de 3 milhões de jovens entre 12 e 17 anos receberam qualquer vacina. Irresponsabilidade. Não olharam para a Anvisa. Quiseram empurrar a vacina. Não quero dizer que isso é negócio, não tenho prova, mas parece que tem interesse aí", afirmou. 

Confira os principais pontos do pronunciamento:

Marcelo Queiroga

"O Queiroga tomou duas doses da Coronavac, vivia de máscara e está infectado. Para quem quer tomar vacina, a gente deu as condições. Somos o terceiro país que mais vacinou a população, proporcionalmente. Eu que levei a notícia para ele. Disse: 'lamento informar que você está infectado. Você vai adotar o protocolo Mandetta, só pedir socorro se sentir falta de ar?'. Ele tomou a Coronavac e, assim como muita gente, não tem dado certo. Agora, se o Queiroga tivesse ficado no Brasil e ido para o Rio [de Janeiro], ele estava andando sem problema, porque lá tem passaporte de vacina. E eu não poderia. Em Nova Iorque, ficamos em um puxadinho sim, porque eu não tomei a vacina e não podia entrar. Ele andou lá por dentro à vontade. Deve ter tomado alguma coisa lá, ter batido papo, apertado a mão de todo mundo, sem problema nenhum."

Infectados 

"Conheci mais duas pessoas hoje de Brasília que contraíram o vírus. Pediram para não falar o nome delas, amanhã vão divulgar. Estão sendo cuidadas, medicadas. Os dois estão vacinados e estão com covid. Vou ligar para elas, para elas divulgarem, mostrarem que vacina tomaram, para a gente ter um protocolo que funcione. São dois nomes que vocês conhecem."

Desemprego

"Terminamos 2020 com mais empregados formais do que em 2019. Agora, os 38 milhões de informais, sem carteira assinada, o que aconteceu? Foram obrigados a ficar em casa [no começo da pandemia]. Não adiantava ir para a praça que não vendia espetinho de gato. Proibiram até a praia. Não podia vender lá. Eles foram procurar emprego e entraram na lista dos desempregados. Foi isso que aconteceu. Querer me culpar da fome e desemprego está de sacanagem. O Lula falou que acabou com a pobreza em uma canetada. Abaixou o valor da classe média e todo mundo virou classe média. Eu não vou fazer nada disso."

Auxílio 

"Me criticaram [pelo pronunciamento na ONU], mas o auxílio emergencial equivaleu ao total de US$ 800. Se fizer as contas com o dólar atual fica um pouco acima. O valor hoje está em média de R$ 250, e estamos trabalhando no novo Bolsa Família, o Auxílio Brasil, de R$ 300. É pouco, eu reconheço, mas é o que o Brasil pode dar, a partir de novembro."

Comando

"O que vejo é que muito jovem se orgulha, se gaba de mostrar o cartão de vacina. Isso está acontecendo. Falta uma autoridade que seja o norte. Mas entra Justiça, governador, prefeito. Tem prefeitura que não tem condição de fazer uma boa análise, dado o grau de pobreza do município, para decidir se a garotada vai tomar a vacina ou não. O que tem que se pesar? Custo benefício. Se o risco de problema é muito maior, por que se submeter a isso? Tem uma menina do Colégio Militar de Brasília de 17 anos que os pais vacinaram ela, mas ela teve trombose e rececebu alta do hospital anteontem. E foi vacinada por quê? Não teve determinação do governo. Eu defendo a liberdade. Se não quer, não vacina. Falta um comandante e eu não posso comandar. Eu queria ser esse comandante. Hoje, se eu não falo com o Ministério da Saúde estou sendo omisso, e se falo estou interferindo."

CPI

"A CPI está completamente desmoralizada. Hoje teve aquela baixaria, coisa terrível. É uma CPI que não achou nada, porque não tem o que achar. Não tem corrupção no nosso governo. Pode um servidor ou outro desviar, mas não teve corrupção. Antes, assaltavam ministérios, estatais. Hoje, não existe isso. Cada ministério tem um núcleo que combate a corrupção. Pode um servidor ou outro querer se dar bem, mas se a gente descobrir vai para cima. Não é um projeto de governo de corrupção, igual existia no passado. O Renan Calheiros me chamou de corrupto, mas não existe corrupção. Teve aquele cabo da PM de Minas Gerais falando de propina de um dólar por vacina. Seriam 2 bilhões em propina. Mas qualquer um pode procurar a gente, quem quer que seja. Para vender lote na lua, o cara aparece uma vez e não aparece mais."

Vacinação obrigatória

"Não vou falar nome para não polemizar. Projeto de Lei no Senado Federal altera código penal brasileiro. Omitir ou contrapor à vacinação obrigatória teria pena de um a três anos. Daqui a pouco o governador ou o prefeito decide que tem que tomar a vacina. Você não quer tomar? Um a três anos de cadeia para você. Deixar de se submeter à vacina em emergência de saúde pública: dois até oito anos de cadeia mais multa. Dá para entender a que ponto estamos chegando? Por falta de termos alguém responsável por isso tudo. Todo poder emana do povo, mas é exercido por aqueles que são eleitos democraticamente. É meu caso. Eu tenho que decidir isso. Agora, dois a oito anos de cadeia não tem cabimento. Não vou nem discutir."

Crise energética

"Nossas fontes de energias renováveis equivalem a 83%. Até faço um pedido para você agora. Se tem uma luz acessa a mais na sua casa, por favor, apague. Estamos vivendo a maior crise hidrológica dos últimos 90 anos. Se puder desligar o ar condicionado. Se não puder e está com 20ºC, coloca em 24ºC. O que eu faço aqui? Desliguei o aquecedor da piscina. Geralmente pego o elevador para subir. Quando tem que descer, eu desço pela escada. Se você puder fazer o mesmo no seu prédio, ajude a gente. Quanto menos mexer com elevador, mais economia de energia nós temos. Estamos com uma bandeira vermelha, mas não é maldade, é para compensar o pagamento da fonte alternativa de energia que não é totalmente hidrelétrica, vem de termoelétricas, que custa caro. Tomar banho é bom, mas se puder tomar um banho frio é muito mais saudável. Ajude o Brasil."

Reitores 

"Aqui a matéria: universidades vivem clima de tensão com escolhidos de Bolsonaro. Eu não posso botar o João ou a Maria de reitores de uma universidade. Chega uma lista de três nomes para mim e eu escolho quem vai ser reitor. Nem sempre escolho o mais votado, a gente analisa a pessoa, a vida dela, como ela sabe administrar, o que ela tem de experiência. E a gente escolhe o nome. Se fosse o primeiro da lista, para que lista tríplice? Nas universidades que têm um viés mais de esquerda, os mais votados geralmente são de esquerda, mas não é esse nosso critério. Dos 50 reitores que assumiram desde 2019, 18 não foram os mais votados pelo Conselho Universitário. A lei diz que eu escolho da lista tríplice. É um direito meu."

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