Nivus x Cruze: por que os SUVs “mataram” os hatches médios?

Versatilidade do Crossover além da posição elevada fazem sucesso de um produto que aposentou quase todos os hatches médios 

Guilherme Magna

Talvez uma das principais injustiças do setor automotivo seja a retirada dos hatches médios do mercado. Mas esse movimento é uma resposta à demanda. Em um passado não tão distante contávamos com modelos como Ford Focus, Volkswagen Golf, Fiat Bravo, Peugeot 308, Hyundai i30 entre outros. O que se destacava nos modelos era o acabamento acima da média e a boa dirigibilidade de um automóvel melhor que os compactos. Mas esse segmento encolheu e o portfólio das montadoras foi diminuindo e hatch equipado agora é só baseado nos modelos compactos como VW Polo, Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Ford Ka, Fiat Argo, Peugeot 208, Toyota Etios e Yaris e Honda Fit.

Guilherme Magna

No segmento dos hatches apenas o Chevrolet Cruze é fabricado e ainda vende bem pouco. A principal razão para esses modelos sumirem do mercado é a chegada dos SUVs, como Jeep Renegade, Hyundai Creta, Nissan Kicks, Volkswagen T-Cross, Peugeot 2008, Citroën C4 Cactus e novos modelos como o Nivus. Os SUVs apresentam conforto similar aos hatches médios e em alguns casos ainda chegam ao mercado mais equipado custando menos. O R7 Autos Carros colocou o Volkswagen Nivus e o Chevrolet Cruze frente a frente e mostra que apesar dos preços serem similares as diferenças entre eles ainda são grandes.

Nivus: SUV versátil com carroceria esportiva

De um lado temos o Volkswagen Nivus, o mais recente lançamento da Volkswagen. No último mês, o SUV cupê emplacou mais de 3,2 mil unidades, o que mostra o apetite do consumidor por Crossovers.

marcos camargo jr

O Nivus tem visual sóbrio, porém sem perder a elegância e esportividade. A altura um pouco mais elevada em relação ao solo é o que torna o modelo cobiçado pelos consumidores. Um outro ponto positivo para o carro é o tamanho do porta-malas: com 415 litros.

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O espaço interno é um outro quesito primordial na hora de escolher entre hatches médios e SUVs. Porém é importante ficar atento. Por ter um tamanho superior aos hatches, os SUVs podem enganar à primeira vista. No caso do Nivus o entre-eixos é de 2,57m, já no caso do Cruze o entre-eixos é de 2,70m. Ou seja, nem sempre o “maior” é o mais espaçoso.

marcos camargo jr

O VW Nivus é equipado com motor 1.0 turbo de 128cv com câmbio manual de seis velocidades. Com o mesmo propulsor usado no Polo Highline, o Nivus se mostra bem disposto no desempenho com consumo contido de combustível o que é um ponto positivo.

Cruze - o último sobrevivente dos hatches médios

Do outro lado temos o Chevrolet Cruze, o último sobrevivente dos hatches deste segmento. Em 2020 o modelo emplacou pouco mais de 2 mil unidades, número bem abaixo do crossover concorrente. A GM relembra que o Cruze hatch "tem seu público" mas os números mostram que ano a ano esse contingente vem diminuindo.

Guilherme Magna

Apesar do número baixo de vendas, o Cruze não deixa de ter atributos positivos. Conta com visual moderno atualizado em 2019. Diferente do Nivus que tem boa altura em relação ao solo, o Cruze apresenta visual mais rebaixado, com rodas maiores (no caso do hatche as rodas são aro 17”). Um ponto que deixa a desejar no carro se formos comparar com o Nivus é o pequeno porta-malas do Cruze, com apenas 290 litros.

Guilherme Magna

O Cruze tem motorização 1.4 turbo de 153cv e também possui câmbio automático de seis velocidades. Seu apetite pela estrada é voraz pois o motor quatro cilindros tem torque, boas retomadas e o equilíbrio do carro satisfaz o gosto mais exigente.

Posição de dirigir

Vamos aos fatos: a posição de dirigir é o que pode ou não decidir a compra de um carro para o outro. Por uma pretensa sensação de segurança o consumidor aprecia o Crossover que sugere maior robustez para transpor buracos e valetas. No entanto, carrocerias elevadas são mais instáveis em alta velocidade. Quem zela por mais esportividade e dirigibilidade além do conforto vai partir para o hatch médio. Porém, cada vez mais as pessoas optam pelo SUV, seja pela posição de dirigir, ou pela conectividade a bordo, item que o Cruze também esbanja, mas não entra na lista de compra da maioria dos consumidores.

marcos camargo jr

O hatch médio é superior em tudo?

Quase tudo. Além do visual parecido com o de um carro compacto o crossover “vende” a ideia de carro mais resistente. No caso do Nivus e do Cruze desconsiderando a versão escolhida o espaço interno será similar e o porta malas do SUV muito maior. Assim, altura elevada, pretensa segurança e maior porta malas tem determinado a escolha dos crossovers.

Guilherme Magna

Pesa a favor do Cruze um acabamento de boa qualidade com painéis com forros costurados, revestimento nas portas, molduras cromadas e outros mimos como banco elétrico, coisa que o Nivus não tem nem mesmo como opção. No caso do Volkswagen a forração idêntica a do Polo, a simplicidade do material empregado e ausência de itens como banco e teto elétricos parecem não fazer falta.

E os preços?

Mais uma razão pela escolha dos SUVs em detrimento dos hatches médios e até mesmo dos sedãs médios.

Volkswagen Divulgação

O Nivus tem duas versões Comfortline com preços a partir de R$ 87.350 e Highline com preços a partir de R$ 99.950. Já o Cruze tem preço inicial de R$ 107.990 e chega até R$ 130.490 como a unidade mostrada nesta reportagem. O veredito? O Cruze tem acabamento superior, nível de equipamentos que satisfaz e desempenho invejável mas não emplaca porque boa parte dos compradores prefere a altura elevada e o maior porta malas de um SUV como o Nivus.

Guilherme Magna

A maioria dos consumidores tem optado por um modelo elevado na posição e na pretensa segurança a bordo pendendo sempre para os SUVs. No entanto, crossovers compactos são simplificados no acabamento para custar menos e todos os modelos deste segmento ficam abaixo do nível de um hatch médio. No fim das contas a montadora prefere vender o SUV equipado que o hatch médio. Os números mostram que cada vez mês produtos como Corolla, Civic e o próprio Cruze ou Jetta vem sucumbindo aos SUVs. O próximo passo é fazer modelos ultracompactos mais “altinhos” como modelos de entrada para matar também os hatches compactos. Mas isso ainda levará um bom tempo para acontecer.

*Por Guilherme Magna e Marcos Camargo Jr.