Cidades Assassinos de sem-terra são condenados no PR

Assassinos de sem-terra são condenados no PR

Sebastião Camargo, de 65 anos, foi morto em 1998

Assassinos de sem-terra são condenados no PR

Após 14 anos, a morte do sem-terra Sebastião Camargo, de 65 anos, em Marilena, no noroeste do Paraná, teve os seus dois primeiros réus condenados. Em julgamento que durou cerca de 17 horas, no Tribunal de Júri de Curitiba, o juiz da 2ª Vara Privativa, Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, condenou o dono da Fazenda Boa Sorte, Teissin Tina, a seis anos de prisão, por homicídio simples, e Osnir Sanches por 14 anos de cadeia por homicídio qualificado. Sanches integrava uma milícia particular dos fazendeiros da região.

Sebastião foi assassinado com um tiro de escopeta na nuca a menos de um metro de distância, depois de não ter cumprido uma ordem de pistoleiros da região para se agachar, pois sofria de um problema cervical que o impedia. Os acusados, porém, poderão recorrer da sentença em liberdade.

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Os outros acusados: Augusto Barbosa da Costa e Marcos Prochet, ex-presidente da UDR (União Democrática Ruralista), acusado de disparar o tiro fatal no idoso, serão julgados no início do próximo ano. O juiz Daniel Avelar, em nota divulgada pela organização Terra de Direitos, afirmou que um novo júri deve ocorrer em 2013.

— Haverá designação o mais rápido possível de um outro júri, possivelmente para o início do ano que vem, julgando os outros dois acusados.

A forma como o crime foi praticado, além da demora no julgamento, levou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos a responsabilizar o Brasil pelo crime, em 2011, após ler relatórios e detalhamentos da operação que envolveu cerca de 30 jagunços que fizeram despejos ilegais de sem-terra na região noroeste.

Segundo relatos da Organização Terra de Direitos, no dia 7 de fevereiro de 1998, um grupo de 30 pistoleiros vestidos de preto obrigaram 70 famílias a deitar com o rosto voltado para o chão. Nesse instante, Sebastião ficou impedido por causa de seu problema e foi executado.

Os quatro envolvidos na morte de Sebastião integravam um grupo que à época era financiado, conforme denúncias de organizações de direitos humanos, pela UDR e têm ligações com as mortes dos sem-terra Sétimo Garibaldi (1998), Sebastião Maia (1999), Eduardo Anghinoni (1999) e Elias Meura (2004).

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