Cidades Chuvas disparam nível de poluição das praias de Santa Catarina

Chuvas disparam nível de poluição das praias de Santa Catarina

Por meio de relatório divulgado no dia 26, Fundação do Meio Ambiente informou que 56,3% das praias catarinenses estão impróprias para banho

Chuvas disparam nível de poluição das praias de Santa Catarina

Chuva em Florianópolis causa diversos alagamentos

Chuva em Florianópolis causa diversos alagamentos

Eduardo Valente / Estadão Conteúdo

Os temporais de verão que afetam Santa Catarina desde o início do ano causam a destruição de casas e do patrimônio público e escancararam um problema que afeta em cheio o turismo: o alto índice de poluição.

A Fatma (Fundação do Meio Ambiente) divulgou na sexta-feira passada (26), o quarto relatório de balneabilidade de 2018. O resultado é que 56,3% das praias catarinenses estão impróprias para banho. Foram analisadas amostras em 215 pontos ao longo de 25 cidades litorâneas.

Para que a área seja considerada imprópria, é preciso que contenha um grande volume da bactéria Escherichia Coli, encontrada em fezes - mais de 800 coliformes fecais por 100 milímetros de água. O índice de contaminação é ainda maior na capital: 64% dos pontos analisados em Florianópolis não podem ser usufruídos.

Florianópolis tem 485 mil moradores, segundo dados do IBGE de 2017, e recebe em torno de 1,5 milhão de turistas na temporada. Conforme o Ministério do Turismo, é o segundo principal destino dos turistas brasileiros no verão.

Muitos deles foram surpreendidos com a mancha de poluição em uma das praias mais frequentadas da ilha. No dia 19, moradores da comunidade do Papaquara, no bairro Vargem Grande, no Norte da capital, desobstruíram a barreira feita pela prefeitura para impedir que a água do Rio do Braz atingisse a praia de Canasvieiras. De acordo com os moradores, a contenção artificial estava provocando alagamentos no bairro.

A mancha escura e com forte odor atingiu a praia. Ela é formada por esgoto, lixo e chorume, segundo a Fatma. No verão de 2016, banhistas usaram máscaras para suportar o mau cheiro na foz do rio do Braz. As autoridades públicas divulgaram que o problema tinha sido resolvido.

A turista de Porto Alegre (RS) Roberta Hayety, 30 anos, que há dez anos passa as férias em Florianópolis, ficou surpresa com a situação. "Eu achei que fosse exagero, mas levei um susto ao caminhar por Canasvieiras. É triste ver a água escura tomar conta do mar, sem contar o lixo na entrada da praia. Eu já paguei pela pousada e não foi barato, do contrário, não ficaria aqui", disse.

Roberta vai acompanhar o mapa de balneabilidade no site da Fatma para escolher as praias que visitará nestas férias, mesmo que fiquem distantes da pousada em que está hospedada, e também pretende fazer alguns programas alternativos.

 

O desvio de rotas não afeta somente os turistas. Flávia Brum, moradora no bairro Coqueiros, na região continental de Florianópolis, passou a frequentar praias de municípios vizinhos, como a praia do Sonho, em Palhoça. "No final do ano passado, entrei no mar em Canasvieiras. Fiquei muito mal, tive duas semanas de virose, com náuseas, vômitos, diarreias e dores de cabeça", contou.

A poluição também preocupa os moradores do sul da Ilha. De acordo com o estudo encomendado pela Associação de Moradores e do Movimento SOS Campeche Praia Limpa, o Rio do Noca, conhecido como Riozinho, que percorre aproximadamente três quilômetros dentro do Campeche e desemboca no mar, está com 80 vezes mais coliformes fecais que o permitido. A Lagoa da Conceição, outro ponto turísticos importante, está com várias placas alertando sobre a poluição.

O superintendente Municipal de Saneamento, Lucas Arruda explicou que a prefeitura tem dois planos de ação. O imediato é recolher a sujeira carregada pelas enxurradas de chuvas nas ruas, que desembocam no mar e nos rios. Já foram removidas mais de 800 toneladas de lixo. E no longo prazo, o plano é investir em esgoto. "Investiremos mais de R$ 400 milhões em novos sistemas de esgoto", disse Arruda.

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