Cidades Coordenador do Crea-CE: 'Nunca vi peso ser fiscalizado no Beach Park' 

Coordenador do Crea-CE: 'Nunca vi peso ser fiscalizado no Beach Park' 

Parque afirma que funcionários seguem protocolos de segurança e recomendações do fabricante do brinquedo e avaliam a altura e peso

Acidente em parque terminou em morte de turista

Acidente em parque terminou em morte de turista

Divulgação/Beach Park

O coordenador da Crea-CE (Câmara de Engenharia Mecânica do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará), Saulo Esteves, afirma que os parques aquáticos deveriam contar também com fiscalização do peso para entrada em brinquedos. "Já visitei o Beach Park cinco vezes e nunca vi fiscalização sobre peso", diz. 

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Segundo o engenheiro, que também é conselheiro do órgão e especialista em estrutura metálica, em parques aquáticos de alto padrão, como Beach Park, problemas de manutenção dos equipamentos não são comuns. "Más instalações são mais comuns em parques de baixo padrão. Já nos parques de alto padrão são mais recorrentes problemas de operação ou imprudência do próprio usuário", diz.

Após a morte do radialista José Ricardo Hilário Silva, na segunda-feira (16), no brinquedo "Vainkará", a Secretária de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará informou que as perícias técnicas realizadas no parque, no município de Aquiraz, deverão ter o laudo concluído em até um mês, com a possibilidade de mais 30 dias.

Embora parques de diversões não sejam empresas de engenharia, o conselheiro do CREA-CE explica que o empreendimento possui serviços de engenharia e, por isso, deve ter as chamadas ARTs (Anotações de Responsabilidade Técnica). Os brinquedos têm responsáveis técnicos para avaliar o funcionamento.

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"Agora que ocorreu um sinistro, a polícia vai solicitar os ARTs, para identificar os engenheiros responsáveis pelo serviço", afirma o conselheiro sobre a investigação. "O ideal é que tenha um responsável técnico que responda por todos os procedimentos do parque."

Radialista Ricardo Hilário morto no Beach Park, em Fortaleza

Radialista Ricardo Hilário morto no Beach Park, em Fortaleza

Reprodução/Facebook

Uma decisão normativa de agosto de 1994, vigente até hoje, prevê uma série de regras para funcionamento dos parques de diversões, entre elas, a apresentação de um laudo técnico emitido por um profissional habilitado. Os laudos, segundo a norma, devem ser renovados semestralmente. "O parque também deve ter um livro de ocorrências, com todos os fatos descritos", afirma Esteves. 

"A polícia vai apurar o que houve e após a conclusão do inquérito o CREA-CE será consultado para saber quem eram os profissionais responsáveis pelo brinquedo. Se for comprovada a responsabilidade de algum profissional sobre a tragédia, o engenheiro pode ser responsabilizado criminalmente ou de forma ética-disciplinar", explica.

Por meio de nota, o parque aquático se posicinou. Confira abaixo a nota: 

"O Beach Park tem o compromisso prioritário com a segurança das famílias que passam pelo complexo. Todo o time participa diariamente de treinamentos com as equipes de segurança e primeiros socorros, que são altamente qualificados e também passam por diversas avaliações. Semanalmente, todos são avaliados e auditados pela empresa americana Jeff Ellis & Associates, líder na indústria internacional de segurança aquática e gerenciamento de riscos, que averigua a eficiência dos profissionais que atuam no parque. O certificado é internacional e faz parte do Programa Integral de Gestão de Risco Aquático.

O parque segue as normas técnicas definidas pela ABTN e tem em seus quadros um dos técnicos responsáveis pela redação, o diretor de Operações do Beach Park, Milton Parente. Os funcionários do parque seguem os protocolos de segurança e as recomendações do fabricante do brinquedo e avaliam a altura e o peso antes da descida. São feitas duas triagens através de perguntas dos instrutores para os clientes:

A primeira de altura, logo na entrada da atração. E a segunda de peso do grupo que vai descer na boia (não é permitido apenas duas pessoas na boia). É neste momento que se faz a redistribuição de peso nas boias quando o instrutor considerar necessário.

No manual de operação do brinquedo, fabricado pela ProSlide, não existe recomendação de uso de balança para pesagem dos usuários ou qualquer outro método de aferição de peso. O limite de peso é informado através de sinalização na entrada da atração e antes da descida. Sobre o acidente, o parque aguarda o resultado da perícia e reforça que está colaborando com os órgãos responsáveis na apuração."

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