Coronavírus faz Justiça (SP) repatriar holandês acusado de tráfico

Homem de 70 anos foi preso por tráfico internacional e responde ao processo em liberdade; ele estava em abrigo de ONG que ajuda estrangeiros

Ischers voltou para a Holanda

Ischers voltou para a Holanda

Reprodução

A Justiça Federal de Guarulhos, em São Paulo, autorizou o repatriamento de Rudy Orlando Ischers, de 70 anos, que responde a processo por tráfico internacional de drogas. Ele foi preso em 8 de dezembro de 2019 e estava morando em um abrigo de ONG que auxilia presos estrangeiros que não tem onde ficar.

Com ajuda do Consulado da Holanda, Ischers conseguiu embarcar no último voo da KLM partindo do Brasil em direção ao país europeu antes de serem interrompidas as operações da companhia aérea para o Brasil por causa do coronavírus.

O pedido de repatriamento partiu do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Guarulhos (CDDH), que mantém o abrigo para os estrangeiros com problemas na Justiça Federal de Guarulhos.

A advogada Izabella Borges explica que o holandês é idoso, diabético e hipertenso. “Ele voltou ao país dele, mas está preenchendo os quesitos legais, só que de uma forma humanitária, próximo da família dele”, ressalta a advogada.

O Ministério Público Federal concordou que o holandês volte para o seu país desde que envie mensalmente um e-mail informando se mantém ou mudou o seu local de residência e que descreva as suas atividades ao longo desse período.
Na decisão, a juíza Louise Vilela Leite Filgueiras Borer, disse que as atividades da ONG terão de ser suspensas para garantir a saúde e integridade física dos réus. Um dos fundadores do CDDH, o juiz Paulo Rodrigues de Almeida, informou que três dos sete réus já conseguiram voltar para os seus países de origem e que eles não devem receber novos réus até o final desta epidemia.

O Programa de Ressocialização de Réus Estrangeiros (PRORREST) tem uma parceria com o Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Guarulhos e com a Gru Airport. O albergue do CDDH acolhe estrangeiros em situação de risco e réus estrangeiros da Justiça Federal em liberdade provisória ou em cumprimento de penas alternativas.