Decisão judicial gera novas discordâncias entre Simpa e Marchezan

Prefeito disse que categoria está desrespeitando compromisso assumido com a 3ª Vara e servidores afirmam que chefe do Executivo dissemina fake news

Categoria está em greve desde 31 de julho Crédito: Guilherme Almeida

Categoria está em greve desde 31 de julho Crédito: Guilherme Almeida

Correio do Povo

A guerra ideológica que vem sendo travada entre a gestão do prefeito Nelson Marchezan Júnior e os servidores ligados ao Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) ganhou capítulos no âmbito da Justiça. Logo após a prefeitura emitir nota que afirma que os sindicalistas têm protagonizado “invasão nas instalações de prédio público”, desrespeitando compromisso assumido na 3ª Vara da Fazenda Pública, a categoria contrapõe as alegações e diz que o chefe do Executivo “se exercita na construção de fake news”. No comunicado, a prefeitura cita e critica o ato realizado pela categoria na manhã de terça-feira passada na sede do Departamento Municipal de Águas e Esgotos (Dmae), na rua 24 de Outubro. "Eles utilizaram carro de som, dificultaram o acesso de quem trabalha no local e dos que estavam lá buscando por serviços, além de causar apreensão nos servidores", diz a nota. Afirma ainda que os servidores causaram confusão no tráfego da região após terem saído em caminhada até o Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV), localizado na avenida Independência. "Seus atos afetaram o acesso às dependências do hospital e causaram caos no tráfego de veículos." O texto, publicado no site do Executivo municipal, também cita o que considera outro descumprimento. "O Simpa não informou às autoridades de segurança sobre as manifestações e tampouco respeitou a legislação, especialmente no que diz respeito à emissão de ruídos, conforme ficou acertado na Audiência de Conciliação", diz o comunicado. Menciona ainda uma ação em que o município pediu ao Judiciário proibisse a ocupação de repartições públicas. O diretor-geral do Simpa, Jonas Tarcísio Reis, afirma que o prefeito Marchezan utilizou a página da prefeitura, que é um órgão público, para propagar notícias falsas. “É lamentável que o gestor eleito para governar a cidade e resolver os conflitos tenha intenção de ampliar e, cada vez mais, deixar a relação com o Sindicato e com o funcionalismo em greve conflituosa”, disse. Falou ainda que em nenhum momento a categoria agiu com truculência ou invadiu algum prédio público. Também diretor-geral do Sindicato, Alberto Terres garantiu que os trabalhadores têm agido dentro da legalidade. “O governo ingressou com pedido de liminar para o interdito proibitório nos serviços públicos, ou seja, para impedir que os servidores acessem as secretarias, o serviço público. E, em uma reunião de mediação com o juiz, ele determinou que podem ingressar, sim, nos serviços, só não podem criar embaraços para os usuários. E isso nos estamos fazendo”, disse. Citou também que ficou acordado que o uso de equipamento de som fica limitado na proximidade de hospitais e demais instituições de saúde e que as autoridades devem ser alertadas dessas utilizações, assim como dos deslocamentos da categoria em caminhada.