Correio do Povo Dólar fecha em alta de 0,34% e Ibovespa cai 1,41%

Dólar fecha em alta de 0,34% e Ibovespa cai 1,41%

Dólar chegou aos R$ 3,78

Dólar chegou aos R$ 3,78

A escassez de referências internas de peso fez o Índice Bovespa ceder à aversão ao risco no exterior nesta quinta-feira, voltando ao patamar dos 102 mil pontos. As influências do ambiente corporativo também foram negativas e acabaram por reforçar a onda vendedora, principalmente pela queda das ações do setor financeiro. O resultado foi um recuo de 1,41% do Ibovespa, que fechou aos 102.654,58 pontos, menor nível desde o começo do mês (102.043 pontos).

A decepção com as declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, ecoaram nos mercados durante todo o dia. Draghi afirmou que na reunião de hoje não foram discutidas mudanças na política monetária do BCE. Apesar do discurso menos "dovish", os mercados mantiveram aposta em corte de juros na reunião de setembro. Ainda assim, houve fuga de ativos de risco, com queda nas principais bolsas de países fortes e emergentes, entre elas a brasileira.

"Não havia como o mercado brasileiro escapar de uma queda hoje, já que houve perdas significativas nos índices setoriais das bolsas americanas. Caíram os índices de metais, de energia e financeiro. Com as pares internacionais em queda, as ações brasileiras acompanharam", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora.

No cenário corporativo, o grande destaque foi o setor financeiro. Os papéis caíram em bloco, lideradas por Bradesco ON (-4,91%) e Bradesco PN (-5,82%). A queda das ações ocorreu depois que o banco apresentou resultado trimestral considerado bastante positivo, com alta de 25% no lucro recorrente. Foi difícil para analistas justificarem o tombo das ações e alguns se apegaram a quesitos menos favoráveis do banco.

"Houve alguns números negativos em relação a despesas e cartões, mas as vendas foram um pouco exageradas. O balanço foi positivo, mas pode ser que a ação atingiu um certo limite para este ano", disse Luís Sales, analista da Guide Investimentos. Na esteira do Bradesco, papéis de outras instituições financeiras foram contaminadas e também caíram expressivamente. Itaú Unibanco PN perdeu 3,08%.

Os contrapontos às quedas do dia ficaram com Ambev ON (+8,52%) e GPA PN (+5,57%). A empresa do ramo de bebidas apresentou lucro líquido ajustado de R$ 2,7 bilhões no segundo trimestre, valor 42,1% superior ao estimado pelos analistas consultados pelo Broadcast. Já GPA refletiu expectativa positiva sobre o processo de reestruturação da empresa.

Dólar

Depois da relativa calmaria dos últimos dias, o mercado de câmbio teve uma sessão mais tensa nesta quinta e com volume forte de negócios. O dólar bateu em R$ 3,80 logo pela manhã, o que não acontecia desde o dia 8 de julho, ou seja, antes da aprovação da reforma da Previdência no primeiro turno da Câmara. O cenário externo foi novamente o fator predominante a influenciar as cotações. Os investidores ficaram insatisfeitos com as declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que não soou tão defensor de mais estímulos monetários como se esperava. Alguns bancos já previam que os juros fossem cortados hoje na zona do euro. Como reflexo, o dia foi marcado por fuga de ativos de risco. O dólar se fortaleceu no mercado internacional e aqui.

O dólar à vista fechou em alta de 0,34%, aos R$ 3,7820, o maior valor desde o último dia 9. Além de os resultados da reunião de política monetária do BCE desagradarem, indicadores mais fortes que o esperado nos Estados Unidos esfriaram as apostas de corte mais intenso nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na semana que vem. As encomendas de bens duráveis subiram 2% em junho, ante previsão de Wall Street de alta de 0,5%.

Na Europa, Draghi sinalizou que os juros vão permanecer "nos níveis atuais" ou mais baixos até 2020, mas reforçou que os dirigentes não discutiram novos estímulos monetários. "O BCE sinalizou um corte de juros em setembro. Contudo, qualquer detalhe de um novo pacote ou medidas permanecem sem clareza", afirma o estrategista do Société Générale, Anatoli Annenkov. Ele projeta um corte de 0,20 ponto. Já os economistas do Morgan Stanley veem um corte menor, de 0,10 ponto, também em setembro, e um novo programa de compras de ativos no quarto trimestre.

O diretor da gestora coreana Mirae Asset, Pablo Spyer, ressalta que as declarações de Draghi trouxeram certa frustração, principalmente quando ele falou que não se discutiu na reunião novos estímulos monetários, o que estimulou as compras de dólar. "O mundo está em uma onda 'dovish'", destaca ele, ressaltando que vários países estão cortando juros. Hoje foi a vez da Turquia e na semana que vem deve ser o Federal Reserve. Em meio a frustração com as declarações do BCE, o dólar que havia começado o dia em baixa, virou e passou rapidamente a subir, batendo em R$ 3,8070 na máxima do dia.

Juros

Depois de três pregões de queda, os juros futuros avançaram nesta quinta-feira. Segundo operadores ouvidos pelo Broadcast, as tesourarias se ampararam no ambiente externo de alta do dólar e das taxas dos Treasuries americanos para promover uma leve recomposição de prêmios.

Dados acima do esperado nos Estados Unidos e a decepção com a ausência de novos estímulos monetários por parte do Banco Central Europeu (BCE) provocaram um realinhamento das curvas de juros ao redor do mundo. Desagradou os investidores o fato de o presidente do BCE, Mario Draghi, ter dito em entrevista coletiva que a possibilidade de alteração imediata da política monetária não foi sequer discutida na reunião do BCE. Também foram frustradas as expectativas, embora minoritárias, de retomada do programa de compra de ativos para injeção de dinheiro na economia europeia.

Embora não se mantenha a perspectiva de juros menores e mais estímulos monetários tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, houve uma redução das apostas em ações mais agudas no curto prazo tanto por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

O estrategista da Monte Bravo, Rodrigo Frachini, observa que já não havia mais espaço para quedas expressivas de taxas de juros, após a rodada recente de diminuição de prêmios. Sem encontrar fundamentos na economia doméstica para novas quedas, as taxas tendem a ficar mais suscetíveis aos movimentos de ativos globais. "A partir de agora vamos ficar mais expostos ao cenário externo. Qualquer mudança na expectativa para as decisões do Fed vai bater mais forte na nossa curva", diz.

Também contribui para o processo de recomposição de prêmios, sobretudo pela manhã, quando as taxas renovaram máximas, o leilão expressivo de NTN-F e LTN. Foram vendidas todas as 6,5 milhões de LTNs ofertadas e 1,752 milhões de NTN-F, da oferta de 2 milhões de títulos. Investidores tentaram capturar taxas mais altas em uma semana que antecede o encontro do Copom (dias 30 e 31).

Entre os curtos, DI para janeiro de 2020 subiu de 5,57% para 5,60%. Na parte intermediária da curva, DI para janeiro de 2021 foi de 5,40% para 5,46%, e DI para janeiro de 2023, de 6,27% para 6,35%. Entre os longos, DI para janeiro de 2025 subiu de 6,84% para 6,90%.

A alta dos juros futuros nesta quinta-feira não alterou de forma significativa a expectativa para a trajetória da Selic. As taxas seguem espelhando cerca de 60% de chances de corte de 0,50 ponto porcentual na semana que vem, para 6% ao ano, e ciclo total de afrouxamento monetário entre 1 ponto e 1,25 ponto porcentual.

Entre os economistas, há uma divisão mais clara em relação à magnitude da primeira redução da Selic. De 55 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 51 esperam início da flexibilização monetária neste mês - 27 aguardam corte de 0,25 ponto, ao passo que 24 esperam redução de 0,50 ponto.